18 de Março de 2008 / às 10:28 / 9 anos atrás

OEA aprova resolução sobre crise entre Equador e Colômbia

Por Adriana Garcia

WASHINGTON (Reuters) - Chanceleres e embaixadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) chegaram a um acordo na madrugada de terça-feira em torno de uma resolução que busca reparar as abaladas relações entre Colômbia e Equador, após as feridas deixadas pela crise regional deflagrada pelo bombardeio a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Equador.

Depois de negociações que atravessaram toda a segunda-feira e se estenderam até as primeiras horas da terça-feira, os diplomatas da OEA aprovaram um documento, que foi recebido com reservas pelos Estados Unidos.

A resolução enfatiza os pontos acordados pelos presidente de Colômbia e Equador na reunião do Grupo do Rio, realizada no início do mês na República Dominicana.

O texto busca "garantir a paz e a segurança do continente", "assegurar a solução pacífica das controvérsias que surjam entre os Estados membros" e foi aclamado e aplaudido de pé pelos diplomatas.

"Não há dúvida que encontramos mais uma vez nosso firme compromisso com o cumprimento de nossos ideais e de nossos princípios", disse o chanceler da República Dominicana, Carlos Morales Troncoso, que presidiu a reunião, ao comentar o documento.

No começo do mês, militares colombianos atacaram um acampamento das Farc e mataram um dos líderes da guerrilha conhecido como Raúl Reyes, o que gerou uma profunda crise, a qual somaram-se Venezuela e Nicarágua em apoio ao Equador.

Os Estados Unidos apoiaram o texto, mas expressaram reservas sobre o ponto que rejeita o bombardeio colombiano ao acampamento das Farc em território equatoriano. Para Washington, a Colômbia agiu em legítima defesa ao realizar o ataque.

Os chanceleres de Equador e Colômbia aprovaram o documento de nove pontos que, para países como Brasil e Venezuela, reforça a autoridade dos países latino-americanos de solucionar problemas no marco do Grupo do Rio, do qual os EUA não participam.

A resolução reafirma o respeito à soberania territorial dos Estados, registra o pedido de desculpas de Bogotá pelo bombardeio e reitera "o firme compromisso" dos 34 países da OEA de combater a ação de "grupos irregulares" na região, como queria o governo colombiano.

"(A OEA) reitera o firme compromisso de todos os Estados membros de combater as ameaças à segurança provenientes da ação de grupos irregulares ou de organizações criminosas, em particular aquelas vinculadas a atividades do narcotráfico", afirma o texto.

Os diplomatas chegaram a um acordo após horas de impasse devido à pressão do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que defendeu que uma resolução dos chanceleres não poderia desautorizar as declarações feitas pelos presidente equatoriano e colombiano na reunião do Grupo do Rio.

Isso aconteceu, segundo fontes diplomáticas, durante as persistentes divergências entre Equador e Colômbia em relação à inclusão no documento de uma menção sobre o combate ao terrorismo.

O Equador buscava concentrar o documento na rejeição à violação de seu território, enquanto a Colômbia tentava incluir o tema da obrigação dos Estados de combater grupos criminosos e transnacionais.

Para a Colômbia, assim como para os Estados Unidos e para a União Européia, as Farc são uma organização terrorista, mas alguns países latino-americanos não classificam o grupo desta forma.

Reportagem de Adriana Garcia

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