Frei Betto diz que volta do capitalismo a Cuba é ilusão

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008 13:35 BRT
 

Por Carmen Munari e Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Castrista histórico, Carlos Alberto Libânio Christo, conhecido como Frei Betto, afirmou nesta terça-feira que vê com tranquilidade a renúncia de Fidel Castro ao poder. Poucos dias após chegar de Havana, ele não acredita em uma reviravolta com o retorno do capitalismo ao país que há 49 anos carrega a bandeira do socialismo.

"Fidel se antecipou e renunciou, o que significa que, sem nenhuma dúvida, Raúl Castro será eleito", disse à Reuters o frei dominicano, escritor e adepto da Teologia da Libertação.

Fidel, afastado do poder desde 31 de julho por problema de saúde, renunciou à reeleição à Presidência marcada para o próximo domingo quando se reúne a Assembléia Nacional renovada. Antes já havia transferido o poder temporariamente a seu irmão Raúl.

Frei Betto, que chegou de viagem a Havana na sexta-feira, onde participou de um congresso, conta que havia eleitores com a tendência de reconduzir Fidel à Presidência como uma homenagem ao líder de quase meio século e também com receio de uma transição traumática, mas, acredita, prevaleceu o "realismo" em função de sua doença não revelada.

Ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Frei Betto, que se encontrou com Raúl na semana passada, prevê a continuidade do socialismo em Cuba, "país pobre mas sem miséria", diz.

"A meu ver, iludem-se aqueles que pensam que haja qualquer sinal de volta do capitalismo. Em Cuba, não há nenhum setor organizado, representativo, que queira uma Cuba capitalista de novo", afirmou.

"Quem queria foi embora ou já morreu. Quem está lá é uma geração que foi beneficiada pela revolução em questões básicas de saúde e educação. Em uma Cuba capitalista, em poucos anos voltaria a desigualdade e a miséria", completou.

Com a postura de quem privou de conversas recentes com Raúl, ele acredita que a precária situação econômica deve levar Cuba a algum tipo de abertura, como a ampliação das parcerias estrangeiras, mas longe do estilo chinês, onde há um grande espectro de associações capitalistas.   Continuação...

 
<p>Vendedor de jornal mostra a edi&ccedil;&atilde;o do Granma que traz a carta de ren&uacute;ncia do comandante Fidel Castro, nesta ter&ccedil;a-feira, em Havana. Photo by Enrique De La Osa 
REUTERS/Enrique De La Osa</p>