Brasil só compra caças com transferência de tecnologia--Jobim

sexta-feira, 19 de outubro de 2007 17:04 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil só vai comprar caças de outros países para a Aeronáutica se houver transferência de tecnologia.

Em 2004, o Brasil cancelou uma licitação para a compra de 12 novos aviões militares, que atraiu interesse de fabricantes dos Estados Unidos, França, Suécia e Rússia. Com o crescimento econômico, o país retomou o projeto de modernizar sua força aérea.

"A negociação só será feita na hipótese de alguma transferência de tecnologia. Não é possível fazer qualquer tipo de aquisição internacional se não tiver esse acerto", disse Jobim a jornalistas, em visita à Universidade das Forças Armadas, na vila militar de Deodoro.

O ministro reconheceu que a transferência de tecnologia é um assunto "difícil e delicado", mas que o Brasil não abrirá mão dessa condicionante.

"Estamos negociando com outros países. O Mangabeira Unger (ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos) já está circulando o mundo para saber quais países estão dispostos a transferir tecnologia. E isso no mundo é muito restrito", frisou.

Em recente viagem à África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o atual estágio da frota da Força Aérea Brasileira, chegando a afirmar que enquanto ela não for renovada "continuaremos ouvindo as notícias que um avião caiu aqui, outro ali".

"Ela (a frota) está velha, temos que enfrentar o assunto. Devemos terminar um projeto até a metade do ano que vem, exatamente para implementar medidas. Temos que recuperar tudo isso", disse o ministro.

"Me lembro quando o presidente Lula decidiu comprar o avião de transporte presidencial e ficou aquela crítica horrorosa. As coisas mudaram de figura. Não há nenhum receio do presidente de enfrentar essa situação. Vamos recuperar a FAB, o Exército e seus instrumentos", completou.   Continuação...