Jobim defende política de enfrentamento da polícia no Rio

sexta-feira, 19 de outubro de 2007 17:58 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu a política de confronto adotada pelo governo do Estado do Rio de Janeiro no combate à criminalidade. Segundo ele, "há uma necessidade de (a polícia) ir para o enfrentamento" no Rio.

"O resultado de outras políticas foi um zero à esquerda. Tem que partir para uma forma mais aguda de enfrentamento; a política do governador (Sérgio Cabral) está correta", afirmou ele a jornalistas, nesta sexta-feira, durante evento na Universidade das Forças Armadas na Vila Militar de Deodoro, zona oeste do Rio de Janeiro.

No mesmo dia em que grupos de defesa dos direitos humanos criticaram as autoridades brasileiras por apoiarem as operações policiais no Rio, Jobim não só endossou as ações, como disse que pretende iniciar uma discussão sobre a utilização das Forças Armadas no combate à violência nos Estados.

Ao ser perguntado se a violência no Rio de Janeiro já demandaria o uso das Forças Armadas, Jobim afirmou que "o Estado poderia ser eventualmente contemplado".

Segundo o ministro, é preciso "discutir" a norma que determina que as Forças Armadas atuem apenas no apoio logístico e no fornecimento de equipamentos.

"A ação direta hoje da tropa brasileira é só de logística e de apoio, não de confronto, há restrições legais", disse ele a jornalistas

"Eu quero examinar a discussão, é uma necessidade abrir a discussão e um debate sobre o problema. Há acadêmicos dizendo que as Forças Armadas não devem ser usadas para segurança pública, prefiro discutir o pragmatismo, ou seja, onde as forças armadas podem ajudar o país", afirmou Jobim.

O ministro disse que fará um debate entre as Forças Armadas e a sociedade sobre o uso das tropas no combate à criminalidade, mas acrescentou que a decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

(Por Rodrigo Viga Gaier)