February 19, 2008 / 2:45 PM / 9 years ago

PF confirma espionagem industrial no caso Petrobras

4 Min, DE LEITURA

Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A espionagem industrial é a única linha de investigação da Polícia Federal para apurar o roubo de informações sigilosas da Petrobras, ocorrida em janeiro e divulgada na semana passada, afirmou o superintendente da PF no Rio de Janeiro Valdinho Jacinto Caetano.

Segundo inquérito aberto na quinta-feira depois do Carnaval, quase uma semana após o comunicado do furto, os dados continham informações de uma sonda que trabalhava na bacia de Santos. Foram furtados quatro notebooks e dois HDs da estatal com dados sigilosos sobre a exploração de petróleo no local.

A Petrobras anunciou no ano passado a existência de um campo gigante de petróleo e gás natural na bacia de Santos, na chamada área pré-sal.

"Havia no container material de escritório e laptops, não levaram todo o material, o que nos leva a descartar que foi um roubo comum. Quem procura HD não está praticando um roubo comum, havia um interesse específico de um determinado assunto", disse ele a jornalistas em entrevista coletiva nesta terça-feira.

Mais Casos

Caetano confirmou que este não foi o primeiro caso envolvendo furtos de dados da Petrobras, conforme informou à Reuters o diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) Fernando Siqueira na última sexta-feira.

"A Petrobras disse que tinha casos semelhantes a esse. Há um ano, um ano e meio ela comunicou à Polícia Civil, mas os dados furtados não tinham informações importantes", disse Caetano.

A PF ainda não sabe precisar o local preciso do furto das informações, mas desaprovou o sistema de segurança da estatal.

"Não há como negar, o sistema de segurança para esse material é bastante falho, muita gente tinha acesso a esse material. A segurança é adequada para escritório, mas inadequada para informações importantes, houve falha na segurança", afirmou.

Ele disse que um inquérito vai determinar se a falha foi da Petrobras ou das empresas envolvidas, a norte-americana Halliburton e a transportadora Transmagno. Ele confirmou ainda que uma mesma chave era usada para abrir o cadeado de vários containers, o que torna o sistema ainda mais inseguro.

Depoimentos

A Polícia Federal já ouviu nove pessoas até agora envolvidas diretamente na segurança e no transporte do material. Outras 15 pessoas ainda devem ser interrogadas, informou Caetano.

O delegado afirmou que os inquéritos têm prazo legal de 30 dias para serem concluídos, podendo ser prorrogados por mais um mês. "Mas nesse caso de importância não tem prazo para concluir", garantiu.

Ele disse que um delegado da Polícia Federal de Brasília foi designado para auxiliar nas investigações, mas não soube informar o nome.

Em Macaé, onde foi aberto o inquérito sobre o roubo, a Polícia Federal está ouvindo depoimentos, nesta terça-feira, de um funcionário da empresa norte-americana Halliburton, prestadora de serviços da Petrobras, e de dois trabalhadores da companhia de transportes Transmagno, encarregada de levar o container até Macaé.

Com reportagem de Maurício Savarese em Macáe

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