RPT-BC usa mesmo instrumento para lidar com mundos distintos

sexta-feira, 19 de setembro de 2008 07:04 BRT
 

(Repete matéria publicada no final da tarde de quinta-feira)

Por Renato Andrade

SÃO PAULO, 19 de setembro (Reuters) - O Banco Central decidiu desenterrar na quinta-feira os leilões de venda de dólar com compromisso de recompra para tentar conter a disparada da moeda norte-americana, num contexto econômico completamente diferente do visto em 2002, quando essas operações foram lançadas.

À época, a moeda norte-americana chegou a 4 reais pelos temores do mercado diante da possível vitória do então candidato de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. Lula era visto com desconfiança por conta de suas históricas posições contra o modelo econômico adotado pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

Agora, a escalada do dólar não reflete nenhum tipo de problema nos fundamentos da economia brasileira ou incerteza política. Ao contrário: sobram elogios à melhora do país que precisa, no entanto, enfrentar uma tempestade internacional.

"Com o problema dos bancos lá fora, eles não têm espaço para dar linha em dólares aqui", afirmou Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez.

Um bom exemplo da melhora interna é o nível das reservas internacionais. Em outubro de 2002, esse colchão somava pouco mais de 35 bilhões de dólares e agora supera 200 bilhões de dólares.

Mesmo assim, o dólar vem subindo há quatro dias à medida que mais instituições financeiras nos Estados Unidos entram em colapso. Nesse curto período, a moeda norte-americana já acumula alta de quase 8 por cento.   Continuação...