Pressões inflacionárias aumentam nos EUA

terça-feira, 19 de agosto de 2008 11:20 BRT
 

Por Glenn Somerville e Lisa Lambert

WASHINGTON (Reuters) - Os preços no atacado dos Estados Unidos subiram em julho com a maior taxa anualizada desde 1981, e o ritmo de construção de moradias diminuiu em meio à fartura de casas prontas que ainda não foram vendidas, mostraram dados do governo nesta terça-feira.

Os relatórios ofereceram pouco alento ao Federal Reserve, que torce para que a desaceleração econômica freie a inflação e permita que a taxa de juro não seja elevada.

O Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) do Departamento de Trabalho, que mede o custo dos produtos no atacado, subiu 1,2 por cento em julho após alta de 1,8 por cento no mês anterior. O núcleo dos preços, que exclui alimentos e energia, saltou 0,7 por cento após alta de 0,2 por cento em junho.

Economistas ouvidos pela Reuters esperavam que os preços ao produtor subissem só 0,6 por cento em julho, com alta de 0,2 por cento do núcleo. A queda acentuada do petróleo desde o meio de julho fez muitos investidores pensarem que as pressões inflacionárias estavam cedendo.

A alta do núcleo do índice de inflação assustou o mercado financeiro, com queda das ações. O dólar subia ante outras moedas em meio à perspectiva de um aumento do juro.

"Não tem nada de bom nisso", disse Marc Pado, estrategista de mercado da Cantor Fitzgerald & Co, em San Francisco.

"A inflação está mais sistêmica do que nos fizeram acreditar com base nos últimos números, e isso vai continuar a aparecer nos dados do CPI (inflação no varejo) nos próximos meses. A questão é se os investidores podem esquecer isso, considerando que o preço do petróleo caiu."

"O Fed está preso entre uma pedra e um lugar duro", acrescentou.   Continuação...