ATUALIZA-Inflação leva Tesouro a adotar estratégia conservadora

quinta-feira, 19 de junho de 2008 18:05 BRT
 

(Texto atualizado com mais comentários; contexto)

Por Walter Brandimarte

NOVA YORK, 19 de junho (Reuters) - A inflação em alta levou o Tesouro Nacional a reavaliar sua estratégia de alongamento do prazo da dívida pública e de redução da participação dos papéis pós-fixados no estoque destes débitos.

O secretário-adjunto do Tesouro Paulo Valle afirmou nesta quinta-feira que o governo está ajustando sua estratégia porque as incertezas sobre a inflação geraram maior volatilidade no mercado de dívida, além de ter reduzido a demanda dos investidores por bônus em reais.

"Enquanto tivermos essa incerteza sobre a inflação, teremos um impacto sobre nossa estratégia, a demanda tem caído um pouco", disse Valle a jornalistas em Nova York, após uma apresentação para investidores.

Com a tendência de alta do rendimentos dos bônus, o Tesouro Nacional planeja agora reduzir a participação dos papéis com correção atrelada à variação da taxa Selic para um nível próximo de 30 por cento do total da dívida. O plano anual de financiamento do Tesouro estabelece que esses títulos devem responder, ao final do ano, por algo entre 25 a 30 por cento do total da dívida pública.

De acordo com os dados mais recentes, os papéis pós-fixados representavam 35,3 por cento do estoque da dívida mobiliária federal em abril.

Por outro lado, os papéis prefixados --melhores para a administração da dívida-- devem subir dos atuais 32,2 por cento, registrados em abril, para algo próximo de 35 por cento ao final do ano. O plano anual do Tesouro estima que esses títulos devem fechar o ano respondendo por algo entre 35 e 40 por cento do estoque de débitos mobiliários.

Valle afirmou ainda que o governo brasileiro pode reabrir a emissão dos bônus globais de 2037, elevando a emissão para cerca de 3 bilhões de dólares, ante o volume atual de 2,5 bilhões de dólares.

"Estamos monitorando o mercado, se for necessário vamos adicionar liquidez", afirmou o secretário. Valle ponderou, entretanto, que o governo não tem pressa, já que não tem necessidade de fazer uma nova captação de recursos.