February 19, 2008 / 4:07 PM / in 9 years

ATUALIZA2-Roubo de dados da PETROBRAS foi espionagem, diz PF

5 Min, DE LEITURA

(Texto atualizado com mais informações sobre as investigações)

Por Rodrigo Viga Gaier e Maurício Savarese

RIO DE JANEIRO/MACAÉ, 19 de fevereiro (Reuters) - A espionagem industrial é a única linha de investigação da Polícia Federal para apurar o roubo de informações sigilosas da Petrobras (PETR4.SA), ocorrido em janeiro e divulgado na semana passada, afirmou o superintendente da PF no Rio de Janeiro, Valdinho Jacinto Caetano.

Segundo inquérito aberto na quinta-feira depois do Carnaval, quase uma semana após o comunicado do furto, os dados continham informações de uma sonda que trabalhava na bacia de Santos. Foram furtados quatro notebooks e dois HDs da estatal com dados sigilosos sobre a exploração de petróleo no local.

A Petrobras anunciou no ano passado a existência de um campo gigante de petróleo e gás natural na bacia de Santos, na chamada área pré-sal.

"Havia no contêiner material de escritório e laptops, não levaram todo o material, o que nos leva a descartar que foi um roubo comum. Quem procura HD não está praticando um roubo comum, havia um interesse específico de um determinado assunto", disse ele a jornalistas em entrevista coletiva nesta terça-feira.

Mais Casos

Caetano confirmou que este não foi o primeiro caso envolvendo furtos de dados da Petrobras, conforme informou à Reuters o diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) Fernando Siqueira na última sexta-feira.

"A Petrobras disse que tinha casos semelhantes a esse. Há um ano, um ano e meio, ela comunicou à Polícia Civil, mas os dados furtados não tinham informações importantes", disse Caetano.

A PF ainda não sabe precisar o local exato do furto das informações, mas desaprovou o sistema de segurança da estatal.

"Não há como negar, o sistema de segurança para esse material é bastante falho, muita gente tinha acesso a esse material. A segurança é adequada para escritório, mas inadequada para informações importantes, houve falha na segurança", afirmou.

Ele disse que um inquérito vai determinar se a falha foi da Petrobras ou das empresas envolvidas, a norte-americana Halliburton e a transportadora Transmagno.

O superintendente confirmou ainda que uma mesma chave era usada para abrir o cadeado de vários contêineres, o que torna o sistema ainda mais inseguro.

Uma fonte ligada às investigações acrescentou, sob condição de anonimato, que deverá ser bastante difícil saber quando o lacre do contêiner foi violado, já que a checagem foi feita apenas visualmente por um empregado da companhia de transporte, que levou o carregamento por rodovia do Rio de Janeiro a Macaé.

Ainda de acordo com a fonte, o lacre estava "enrolado quando o roubo foi constatado".

Durante a tarde, a Transmagno divulgou nota segundo a qual não carrega nem entrega cargas que não estejam lacradas.

Depoimentos

Na terça-feira, um funcionário da Petrobras, dois da Halliburton e dois da Transmagno depuseram na sede da PF em Macaé.

A delegada Carla Dolinski, que disse não poder se pronunciar sobre as investigações, deve ouvir nos próximos dias funcionários das empresas que tenham relação com o contêiner e com a caixa onde estavam os laptops roubados.

O delegado Caetano afirmou que os inquéritos têm prazo legal de 30 dias para serem concluídos, podendo ser prorrogados por mais um mês. "Mas nesse caso de importância não tem prazo para concluir", garantiu.

Ele disse que um delegado da Polícia Federal de Brasília foi designado para auxiliar nas investigações, mas não soube informar o nome.

A advogada da Transmagno, Valéria Manhães, afirmou que a empresa fará um rastreamento nos seus caminhões para identificar o trajeto percorrido e os horários nos quais o veículo trafegou no percurso entre o Rio de Janeiro e Macaé.

Segundo ela, o trajeto, que normalmente é feito em cerca de três horas, demorou mais do que isso devido a chuvas e a um pernoite do dia 29 para o dia 30 de janeiro.

Edição de Denise Luna e Roberto Samora

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