Brasil pode dificultar, não impedir acordo Telefónica-Tel.Italia

sexta-feira, 19 de outubro de 2007 13:21 BRST
 

Por Elisabeth O'Leary

MADRI (Reuters) - A Telefónica pode ser obrigada na próxima semana a vender uma unidade no Brasil, quando a agência regulatória das telecomunicações no país considerar as implicações locais da participação que a empresa espanhola está adquirindo na Telecom Italia.

O grupo também pode ser obrigado a adquirir fatia menor que os 7,6 por cento de participação indireta na operadora de telecomunicações italiana ou forçado a aceitar um acordo de não influenciar a administração da unidade brasileira da Telecom Italia.

Mas é improvável que essas condições levem a Telefónica a abrir mão de seu envolvimento com a Telecom Italia, que lhe daria força estratégica na Europa e na América Latina.

A aquisição daria às duas empresas uma participação combinada dominante no mercado brasileiro, e é isso que motiva a investigação da agência regulatória do Brasil, a Anatel.

"Acredito que a Telefónica poderia até mesmo aceitar uma redução de sua participação na Vivo, sua subsidiária brasileira, porque em longo prazo o que ela realmente deseja é fundir a TIM Brasil e a Telesp (a operadora de telefonia fixa de São Paulo controlada pela Telefónica)", disse um analista da Ahorro Corporación Financiera, um banco de investimento.

A Vivo é a operadora de telefonia móvel que a Telefónica criou como joint-venture com a Portugal Telecom . A Telefónica vem tentando adquirir da companhia portuguesa as ações que ainda não detém na holding que controla a Vivo, mas as negociações foram interrompidas há meses.

Muitos observadores acreditam que a principal preocupação da Telefónica com respeito à decisão da Anatel é sua maior rival, a América Móvil . Um dos motivos da aquisição de uma participação na Telecom Italia era impedir que a América Móvil fizesse o mesmo, e com isso conquistasse acesso à TIM Brasil.

"Desde que a Telefónica possa manter uma posição que a permita impedir que a TIM Brasil seja controlada por Carlos Slim (o dono da América Móvil), um acordo é provável", disse um analista de telecomunicações em um banco norte-americano, que pediu que seu nome não fosse mencionado.   Continuação...