23 de Outubro de 2007 / às 03:58 / em 10 anos

Brasil pode dificultar, não impedir acordo Telefónica-Tel.Italia

Por Elisabeth O'Leary

MADRI (Reuters) - A Telefónica pode ser obrigada na próxima semana a vender uma unidade no Brasil, quando a agência regulatória das telecomunicações no país considerar as implicações locais da participação que a empresa espanhola está adquirindo na Telecom Italia.

O grupo também pode ser obrigado a adquirir fatia menor que os 7,6 por cento de participação indireta na operadora de telecomunicações italiana ou forçado a aceitar um acordo de não influenciar a administração da unidade brasileira da Telecom Italia.

Mas é improvável que essas condições levem a Telefónica a abrir mão de seu envolvimento com a Telecom Italia, que lhe daria força estratégica na Europa e na América Latina.

A aquisição daria às duas empresas uma participação combinada dominante no mercado brasileiro, e é isso que motiva a investigação da agência regulatória do Brasil, a Anatel.

"Acredito que a Telefónica poderia até mesmo aceitar uma redução de sua participação na Vivo, sua subsidiária brasileira, porque em longo prazo o que ela realmente deseja é fundir a TIM Brasil e a Telesp (a operadora de telefonia fixa de São Paulo controlada pela Telefónica)", disse um analista da Ahorro Corporación Financiera, um banco de investimento.

A Vivo é a operadora de telefonia móvel que a Telefónica criou como joint-venture com a Portugal Telecom . A Telefónica vem tentando adquirir da companhia portuguesa as ações que ainda não detém na holding que controla a Vivo, mas as negociações foram interrompidas há meses.

Muitos observadores acreditam que a principal preocupação da Telefónica com respeito à decisão da Anatel é sua maior rival, a América Móvil . Um dos motivos da aquisição de uma participação na Telecom Italia era impedir que a América Móvil fizesse o mesmo, e com isso conquistasse acesso à TIM Brasil.

"Desde que a Telefónica possa manter uma posição que a permita impedir que a TIM Brasil seja controlada por Carlos Slim (o dono da América Móvil), um acordo é provável", disse um analista de telecomunicações em um banco norte-americano, que pediu que seu nome não fosse mencionado.

A Telefónica compete ferozmente com o grupo Telmex, cujas operações na América Latina ajudaram a tornar Slim o homem mais rico do mundo. E há muito em jogo no Brasil, onde os ativos da Telefónica são avaliados em pelo menos 18 bilhões de euros (25,7 bilhões de dólares).

A Anatel marcou para terça-feira reunião do conselho diretor da agência que, entre outros assuntos, discutirá as implicações no Brasil da operação da Telefónica com a Telecom Italia. A discussão já foi adiada várias vezes e fontes no setor de telecomunicações esperam uma decisão na próxima semana.

A Telefónica repetidamente vem afirmando que está confiante na aprovação sem problemas da transação uma vez que informa está comprometida em não interferir na administração da TIM Brasil. Porém, os atrasos no processo têm gerado dúvidas.

"A opinião será favorável. A agência deve provavelmente exigir que a Telefónica não interfira na administração da TIM Brasil e pode até mesmo pedir a venda de uma ou parte de suas unidades, mas é improvável que seja a Telesp (a maior delas)", disse o analista do banco espanhol de investimento Ahorro Corporación Financeira.

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