19 de Fevereiro de 2008 / às 19:54 / 9 anos atrás

Fidel Castro não revela sucessor, mas dá algumas pistas

Por Rosa Tania Valdés

HAVANA (Reuters) - Fidel Castro renunciou na terça-feira sem revelar quem o sucederá depois de meio século no poder. Mas deu algumas pistas.

Na mensagem anunciando sua saída definitiva, Fidel, de 81 anos, adiantou que pelas veias do novo Executivo que será designado no domingo pelo Parlamento correrá uma mescla de sangue velho e novo.

"Felizmente nosso processo conta com quadros da velha guarda, junto a outros que eram muito jovens quando começou a primeira etapa da Revolução", escreveu Fidel em texto publicado no Granma, jornal do governante Partido Comunista.

À frente das figuras históricas está Raúl Castro, um general que acompanhou o irmão em todas as batalhas, foi sua mão direita desde a revolução de 1959 e o substituiu a partir de julho de 2006, quando Fidel transferiu o poder por causa de uma doença.

Raúl é o favorito para sucedê-lo formalmente no poder durante os próximos cinco anos. Ele tem 76 anos.

Três dos atuais cinco vice-presidentes do Conselho de Estado são da época da revolução. São eles o comandante Juan Almeida, de 81 anos; José Ramón Machado Ventura, um influente membro do Partido Comunista, de 76 anos; e o ministro do Interior, general Abelardo Colomé, de 67 anos, que se uniu à guerrilha quando era adolescente.

No governo interino de Raúl há outros veteranos da guerrilha como o comandante Ramiro Valdés, um ex-ministro do Interior de 75 anos e agora à frente da pasta de Comunicações.

Analistas afirmam que a velha guarda que lutou sob as ordens de Fidel continuará com as "botas postas".

"Independentemente das muitas mudanças que se produzirão durante os próximos três a cinco anos, deve se esperar que a chamada 'velha guarda' continue sendo uma força influente dentro da atual estrutura de poder", disse Domingo Amuchástegui, um ex-analista da inteligência cubana radicado em Miami desde que desertou, em 1994.

Ao contrário do que muitos pensam, as figuras históricas não representam necessariamente um freio para futuras reformas, segundo Amuchástegui.

Mas Fidel recomendou que o novo governo inclua, também, dirigentes mais jovens.

"Nosso processo dispõe da geração intermediária que aprendeu conosco os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução", acrescentou.

Essa geração está encabeçada pelo vice-presidente Carlos Lage, de 55 anos, considerado o "arquiteto" das reformas econômicas da década de 1990 e um possível candidato a ocupar o atual posto de primeiro vice-presidente dos conselhos de Estado e de Ministros se Raúl for nomeado presidente.

Outra figura emergente é o chanceler Felipe Pérez Roque, de 41 anos, formado politicamente como secretário de Fidel durante quase uma década e hoje um articulado diplomata capaz de defender o sistema na Assembléia Geral das Nações Unidas.

A resposta será conhecida no domingo, quando o Parlamento votar uma lista única de 31 candidatos a igual número de cargos no Conselho de Estado.

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