19 de Fevereiro de 2008 / às 21:04 / 10 anos atrás

ANÁLISE-Minério e carvão podem elevar preço do aço em até 20%

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 19 de fevereiro (Reuters) - O ajuste de 65 por cento do minério de ferro não é a única preocupação das siderúrgicas na hora de calcular o aumento do aço para este ano. Também com oferta reprimida por fatores pontuais, o carvão deve subir entre 50 e 80 por cento e puxar uma alta de até 20 por cento no preço do aço em 2008.

Algumas siderúrgicas se anteciparam aos ajustes dos insumos, como ArcelorMittal, Nippon Steel e Gerdau (GGBR4.SA), e aumentaram o valor dos seus produtos entre 10 e 20 por cento, antes mesmo do anúncio do novo preço do minério de ferro, feito na segunda-feira pela Vale.

O minério de ferro produzido pela gigante brasileira no Estado de Minas Gerais foi ajustado em 65 por cento, enquanto o produto da mina de Carajás, no Estado do Pará, subiu 66 e 71 por cento, dependendo do acordo feito com siderúrgicas da Europa e Ásia, respectivamente.

Mas outros ajustes do aço deverão surgir ao longo do ano, avaliam analistas.

"As empresas vão testando o mercado, e se já conseguiram ter aumento antes do ajuste do carvão e do minério, a leitura que a gente faz é de que as perspectivas de crise por causa da economia norte-americana nem são tão graves assim, tem espaço para repasse", afirmou o analista da Prosper Corretora Alan Cardoso.

Em uma estimativa preliminar sobre possíveis impactos nas siderúrgicas brasileiras, um analista que não pode ser identificado porque o seu banco participa do "pool" de um possível empréstimo para a Vale (VALE5.SA) comprar a Xstrata, calcula que a Usiminas USIM5.SA deverá fazer pelo menos dois aumentos de preço este ano, no total de 17 por cento.

"Com esse aumento de 65 por cento (do minério), insumo que representa 13 por cento do custo da Usiminas, e o ajuste de cerca de 50 por cento esperado para o carvão, o aumento da Usiminas deve ser em torno dos 17 por cento no ano", afirmou.

Ele concorda que a tese de uma forte crise da economia norte-americana, que poderia reprimir ajustes elevados de preços, está cada vez mais afastada do setor siderúrgico. Lembrou que esse segmento hoje conta com a força do consumo na China e outros países da Ásia, que continuam em crescimento.

"O ajuste do minério saiu antes do que se esperava, e se as siderúrgicas não esperaram para ver como vai ficar a economia norte-americana é porque sentem que vão conseguir repassar os preços, ou seja, a crise não é tão grande", disse o analista.

Entre as siderúrgicas que negociam nas bolsas de valores e que são alvo das análises dos especialistas, a Companhia Siderúrgica Nacional CSNA3.SA é uma das mais protegidas, por contar com minério próprio e com isso ter maior margem. "Ela ganha nas duas pontas, com a alta do minério e do aço", observou um analista, enquanto as empresas do grupo Gerdau utilizam sucata, insumo que demora a sentir mais o reflexo do aumento do minério de ferro.

GESTÃO DE CUSTOS

Para o analista do ABN Amro Pedro Galdi, será fundamental para as siderúrgicas a partir de agora cuidarem muito bem da gestão de custos, já que existe pressão de alta de preços por todos os lados e incertezas em relação ao crescimento da economia mundial.

"Já já vamos ver aqui o movimento que já está acontecendo lá fora, de choradeira dos siderúrgicos, das montadoras de automóveis, mas sem dúvida vai ter repasse (de preços)", afirmou o especialista, que projeta ajustes mais tímidos para o aço, pelo menos em um primeiro momento, entre 5 e 10 por cento.

Reportagem de Denise Luna; Edição de Roberto Samora

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