February 19, 2008 / 9:09 PM / 9 years ago

Chuvas eliminam risco de racionamento em 2008, aponta relatório

4 Min, DE LEITURA

Por Reese Ewing

SÃO PAULO (Reuters) - As chuvas deste mês na região Centro-Sul eliminaram o risco de racionamento de energia neste ano, mas incertezas quanto ao fornecimento de gás para o país ainda alimentam temores para 2009 e 2010, opinam analistas.

O Instituto Acende Brasil, que representa investidores no setor de energia elétrica, divulgou nesta terça-feira relatório de monitoramento da oferta e da demanda. O cenário melhorou significativamente para 2008, reduzindo de 7 por cento em outubro para zero, agora, o risco de racionamento.

"Persiste, no entanto, um desequilíbrio grave na oferta e demanda para 2009 e 2010", informou o especialista Mario Veiga, da consultoria PSR, que faz o monitoramento para o Acende.

Apesar de haver risco também em 2011 e 2012, os dois próximos anos preocupam mais porque não há tempo suficiente para concluir obras de geração de energia e atender à demanda crescente, segundo ele.

O Acende constatou que há instabilidade considerável no suprimento de gás natural usado na operação da maioria das termelétricas de emergência, acionadas para complementar a capacidade das hidrelétricas quando os reservatórios estão baixos.

Autoridades da Bolívia estiveram no país na semana passada para pedir perdão da multa se houver descumprimento do contrato de fornecimento de 30 milhões de metros cúbicos por dia, que atende metade da demanda do Brasil.

A Bolívia quer limitar o envio de gás a 27 milhões de metros cúbicos diários e aumentar o fornecimento para a Argentina, que se dispõe a pagar mais que o Brasil. A Bolívia já deixou de fornecer gás para a termelétrica de Cuiabá.

Entrando, no seu terceiro ano de grave crise energética, a Argentina também já reduziu 2.000 Megawatt médios para o Brasil numa linha de transmissão na fronteira e cortou o gás que enviava para a termelétrica de Uruguaiana, no sul do país.

"No ano passado, o Brasil perdeu 3.500 MW da capacidade de 6.600 MW de termelétricas porque não havia gás suficiente para as usinas", disse Veiga. De acordo com o Acende, se a demanda de energia no país tiver crescimento modesto e a oferta de energia não trouxer surpresas negativas, o risco de racionamento é de 6 por cento em 2009 e de 8,5 por cento em 2010.

Mas se houver crescimento elevado da demanda e atrasos no fornecimento de gás natural e liquefeito, os riscos podem subir para 10 e 12,5 por cento, respectivamente em 2009 e 2010.

O volume de chuvas em março e abril também será importante para definir o nível dos reservatórios das hidrelétricas até o final deste ano, influenciando na segurança dos anos seguintes. O cenário também considera que a Bolívia respeitará o contrato com o Brasil.

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