Aécio usa jogo do Brasil para articular aliança ampla em BH

quinta-feira, 19 de junho de 2008 20:30 BRT
 

BELO HORIZONTE (Reuters) - Nem o empate sem gols entre Brasil e Argentina, nem a estrondosa vaia de 57 mil torcedores no Mineirão, no jogo de quarta-feira, foram suficientes para interromper as articulações do governador Aécio Neves (PSDB) por uma ampla coalizão na eleição municipal de Belo Horizonte.

Aécio conseguiu reunir em seu camarote no estádio o vice-presidente, José Alencar, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, o deputado federal Ciro Gomes e seu irmão Cid Gomes, governador do Ceará, e outros nove governadores, além de senadores, deputados federais e estaduais.

A reunião era quase a concretização dos planos do governador e do prefeito Fernando Pimentel (PT) de fazer uma aliança entre partidos de correntes distintas em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) para as eleições de outubro.

No camarote estavam políticos das mais variadas legendas e ideologias, desde lideranças tucanas, como os senadores Arthur Virgílio (AM) e Eduardo Azeredo (MG), até políticos de oposição ao partido de Aécio, como os governadores petistas Jaques Wagner (BA) e Wellington Dias (PI) e o senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Wellington Dias, por sinal, é um dos integrantes do diretório nacional do PT, que decidiu não permitir a aliança do partido com os tucanos em Belo Horizonte. Mas os partidários da coligação acreditam que o encontro no jogo possa ter sido decisivo para consolidar o projeto.

"O prato principal do banquete foi a aliança em BH", afirma o deputado estadual Durval Ângelo (PT), um dos partidários do acordo. "A tensão por causa da coligação já havia diminuído, mas todos que estávamos lá saímos com a certeza de que ele vai ocorrer", acrescentou outro parlamentar mineiro, presente no camarote, que pediu para não ser identificado "para não prejudicar as conversas".

Ele salienta que, além de fortalecer a tese da coligação, a conversa entre caciques de diversos partidos no camarote também facilitou o entendimento para a participação de outras legendas na aliança.

Um dos presentes era justamente o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, partido que encabeça a chapa e que, segundo Aécio, vai dirigir a política de alianças para as eleições.

"Agora, a situação ficou mais favorável à participação de outros partidos", acrescentou o parlamentar mineiro. (Reportagem de Marcelo Portela)