20 de Agosto de 2008 / às 19:18 / em 9 anos

Candidatos gays,lésbicas e travestis crescem 26 vezes desde 1996

Por Ana Paula Paiva

BRASÍLIA (Reuters) - O número de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e simpatizantes candidatos nas eleições municipais aumentou 26 vezes desde 1996, de acordo com levantamento feito por associação ligada ao movimento.

Em quatro eleições, os candidatos que se encaixam em uma das categorias aumentaram de 6 para 157. Entre os simpatizantes mais famosos estão os candidato às prefeituras do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira (PV), e de São Paulo, Marta Suplicy (PT).

"A gente não gosta que sejam simpáticos, mas aliados", disse o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, defendendo nova terminologia.

Para Reis, o aumento do número de candidatos assumidos se deve à força e ao trabalho das pessoas que ajudam o movimento na política. O presidente da ABGLT destacou também como fator favorável o aumento de organizações não-governamentais e paradas gays pelo país

"Nós temos um ambiente muito interessante de respeito", disse Reis, ao descrever o diálogo com os partidos, independentemente da coloração ideológica. "Hoje existe uma frente parlamentar favorável a nossos pleitos com 226 senadores e deputados."

A associação se esforça para quebrar resistências e preconceitos e já fez duas reuniões com a bancada evangélica do Congresso para aparar arestas.

"Nós não queremos destruir a família de ninguém. A gente quer respeitar a Bíblia e a Constituição", afirmou Reis.

O ambiente de maior tolerância desperta nos homossexuais mais confiança para concorrer nas eleições.

"Eles se colocam como candidatos na tentativa de fazer uma construção dentro das urnas", disse o candidato gay a vereador no Rio de Janeiro Roberto Gonçale (PSOL).

Para os candidatos, o número de casos de violência por homofobia no país atesta que a sociedade brasileira ainda não está livre do preconceito. Mas concordam que o cenário já está muito melhor que antes.

"A pessoa hoje vê que tem que respeitar a diversidade", disse a travesti e candidata a vereadora em São Paulo, Salete Campari (PDT). Ela acha que "a campanha é difícil pra todo mundo" já que são mais de 200 candidatos concorrendo a apenas 55 cargos na Câmara Municipal.

Segundo Roberto a grande diferença de 12 anos atrás "é que hoje as pessoas estão com mais condição para lutar contra o preconceito".

Dos 157 candidatos, 87 são classificados como aliados e 70 são gays, lésbicas ou travestis. O PT é o partido com mais candidatos na lista da ABGLT. São 52 petistas incluídos em uma das classificações. O PSOL vem em seguida, com 17 candidatos. PSDB e DEM têm cinco candidatos cada, entre eles o aliado Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição a prefeito em São Paulo. O PMDB, maior partido do país, tem quatro candidatos.

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