Setor agrícola argentino mantém greve e tensão com o governo

quarta-feira, 19 de março de 2008 17:46 BRT
 

Por Nicolás Misculin

BUENOS AIRES, 19 de março (Reuters) - Os produtores rurais argentinos anunciaram na quarta-feira que continuarão em greve na próxima semana em protesto contra a elevação das tarifas de exportação, o que deixa ainda mais tensa a relação com o governo e poderia causar um desabastecimento de alimentos.

O protesto, que consiste na suspensão da venda de grãos e carnes e manifestações nas estradas, começou na quinta-feira passada, depois de o governo anunciar fortes aumentos nas taxas de exportação de soja, girassol, derivados e biodiesel.

Os produtores, em muitos casos a bordo de seus tratores, bloquearam nos últimos dias diversas estradas do país, e na quarta-feira atearam fogo em caminhonetes e máquinas agrícolas durante uma importante manifestação realizada no norte de Buenos Aires, uma das principais províncias agropecuárias.

O governo assegurou que não vai negociar enquanto continuarem os protestos, mas os agricultores anunciaram que seguirão com a greve pelo menos até a próxima semana.

"A única negociação possível é que se volte atrás com a determinação de 11 de março (quando foi anunciada a alta dos impostos). O caminho que segue é o da luta", disse Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, uma das quatro associações que organizaram o protesto.

Buzzi alertou que poderá faltar alimentos na próxima semana, mas responsabilizou o governo por um eventual desabastecimento.

A Argentina é um dos maiores fornecedores mundiais de soja, milho, trigo, carne e produtos derivados.

O mercado agrícola permanecia inativo na quarta-feira, enquanto que Rosario, o maior porto exportador de grãos do país, não registrou atividade nos últimos dias.   Continuação...