April 19, 2008 / 7:58 PM / in 9 years

Paraguai acerta detalhes para eleição presidencial no domingo

4 Min, DE LEITURA

Por Daniela Desantis

ASSUNÇÃO (Reuters) - O Paraguai acertava neste sábado, em um clima de relativa calma que contrastava com as tensões dos últimos dias, os detalhes para a eleição presidencial que pode pôr fim a seis décadas de governo do centro-direitista Partido Colorado.

Em meio à garoa que caía desde cedo na capital, as autoridades eleitorais davam os toques finais para a jornada de domingo que tem como favorito Fernando Lugo, de 56 anos, ex-bispo e opositor do atual governo.

Se os prognósticos se confirmarem, Lugo acabará com o domínio do Partido Colorado, considerado um dos mais antigos do mundo no exercício ininterrupto do poder.

"Estamos olho por olho, urna por urna, vigiando para que não aconteça nada porque os colorados roubam tudo", disse uma representante da aliança de Lugo, enquanto passava por um colégio demarcado como local de votação.

Em segundo lugar nas pesquisas está a candidata colorada, Blanca Ovelar, com cerca de 31 por cento das intenções de voto. Ela é seguida pelo general aposentado Lino Oviedo, do grupo de direita União Nacional dos Cidadãos Éticos (Unace), com 27 por cento das intenções.

"Os paraguaios podem dar nesta manhã uma grande lição de civismo. Nós estamos dispostos a aceitar os resultados que vierem e exigimos a mesma reciprocidade dos outros candidatos", afirmou Ovelar a jornalistas neste sábado.

O interesse por uma eventual mudança de rumo, junto com as denúncias de fraude e de possíveis atos de violência feitas pela oposição, atraiu dezenas de observadores internacionais e centenas de jornalistas estrangeiros.

"Vemos os candidatos e as pessoas, em geral, trabalhando na reta final com muito otimismo", disse à Reuters María Emma Mejía, chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O ex-presidente colombiano Andrés Pastrana, que lidera a comitiva da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais, destacou a disposição das autoridades para garantir um resultado transparente.

"O compromisso do presidente... (é) com a democracia, com o respeito ao resultado eleitoral que será dado amanhã no Paraguai. Como temos insistido, o Paraguai vai dar uma lição de democracia", falou Pastrana após reunião com o chefe de Estado.

Tropas militares estão aquarteladas desde sexta-feira para resguardar a segurança e apoiar o trabalho de cerca de 10 mil policiais destinados ao processo eleitoral.

Fraqueza No Congresso

Pouco mais de 2,8 milhões de eleitores podem votar no país de 5,6 milhões de habitantes, que exibe uma das menores economias da América do Sul e tem a pior fama em matéria de corrupção, contrabando e falsificações.

Além da Presidência, a votação de domingo vai pôr em jogo a renovação total do Congresso --45 cadeiras no Senado e 80 deputados--, além de 17 governos departamentais e dezenas de legislaturas locais.

Como se espera uma vitória apertada para qualquer candidato presidencial, quem vencer precisará estabelecer alguma aliança com os outros partidos no Congresso, já que nenhuma força política deve obter maioria parlamentar.

A votação de domingo será a quinta eleição aberta desde a queda da ditadura de Alfredo Stroessner em 1989. Ele, que governou durante 35 anos, fingia eleições em que "ganhava" com 99 por cento dos votos.

Reportagem adicional de Antonio de la Jara e Juan Bustamante

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