October 23, 2007 / 4:03 AM / 10 years ago

Mantega: Brasil vai criar fundo para gerir reservas

4 Min, DE LEITURA

WASHINGTON (Reuters) - O Brasil vai pedir autorização do Congresso este ano para criar um fundo soberano para gerir uma pequena porção de suas reservas internacionais, que hoje ultrapassam 160 bilhões de dólares, disse nesta sexta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O Ministério da Fazenda e o Banco Central estão trabalhando em uma proposta para o fundo, que buscaria retorno maior sobre as aplicações das reservas internacionais.

O fundo englobaria apenas uma pequena parte das reservas que excedesse um determinado nível de conforto, acrescentou Mantega. Esse nível ainda não foi estabelecido "mas certamente acima dos 162 bilhões de dólares atuais".

O fundo também poderia comprar dívida emitida por companhias brasileiras no exterior ou prover recursos a juros baixos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acrescentou Mantega.

"Mas nós não vamos comprar empresas, não vamos fazer aplicações diretas, não vamos fazer o que o fundo da China faz."

"Certamente sempre serão aplicações seguras, 95 por cento continuarão só em títulos de primeira linha, dando cobertura para o endividamento brasileiro, os pagamentos brasileiros. Uma outra parte poderá também (ser aplicada) em títulos que têm que ser de primeira linha. Nós não vamos entrar em mercados de risco, mercados secundários", disse Mantega.

CRÍTICAS AO FMI

A decisão do Brasil de incrementar suas reservas, no entanto, vai contra as recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse Mantega na mais recente de suas críticas às políticas do Fundo.

"O FMI acha que nós não deveríamos comprar reserva. Que nós deveríamos deixar a moeda se valorizar de forma radical, porque eles acham que em algum momento, quando estivesse lá em cima, haveria uma reação natural", disse.

"Eu não acredito nisso. Eu acredito que a gente deve procurar moderar essa valorização do jeito que nós fazemos, comprando mais reserva, de modo a permitir que a indústria do país tenha tempo para se adaptar aos novos patamares monetários."

O ministro também criticou as últimas previsões divulgadas pelo Fundo sobre a economia brasileira. Para ele, o país crescerá entre 4,7 e 4,8 por cento neste ano e cerca de 5 por cento no ano que vem. Já o Fundo prevê uma expansão de 4,4 por cento em 2007 e de 4 por cento em 2008.

"Demonstra um desconhecimento do que está acontecendo no Brasil, que está crescendo de forma robusta, impulsionado por um mercado interno crescente", disse o ministro.

Mantega disse ainda que o FMI precisa adaptar suas políticas, ao mesmo tempo em que permite maior participação de países emergentes, caso contrário esses países criarão suas próprias instituições para substituí-lo.

Por Walter Brandimarte

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