19 de Junho de 2008 / às 19:48 / 9 anos atrás

Alckmin condena pressão de kassabistas, que vêem desespero

SÃO PAULO (Reuters) - O pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, condenou na quinta-feira pressões que teriam sido exercidas sobre delegados do partido pelo grupo dissidente que registrou chapa encabeçada pelo atual prefeito Gilberto Kassab, do DEM. A ala kassabista refuta as acusações e diz que há tentativa de desqualificá-los.

"Eu acho que essas coisas já deveriam estar abolidas da política brasileira. Não tem cabimento numa cidade mundial como São Paulo pressão sobre gente simples, humilde, delegados, constrangimentos", disse Alckmin a jornalistas no ato de adesão do PHS (Partido Humanista da Solidariedade) a sua candidatura.

A proposta de uma chapa em que o PSDB apoiaria Kassab para enfrentar Alckmin na convenção marcada para o próximo domingo teve a assinatura de 424 dos 1.344 delegados do partido e apoio de 11 dos 12 vereadores tucanos. Com número suficiente de assinaturas, a chapa foi registrada pelo diretório municipal.

Perguntado se foi procurado por algum delegado que tenha sido pressionado a aderir à chapa de Kassab, Alckmin não respondeu diretamente. Disse apenas que "muita gente relatou coisa muito triste".

Alckmin foi mais incisivo sobre as denúncias de que tucanos que ocupam cargos na prefeitura estariam sendo pressionados a votar na chapa que prevê Kassab como candidato. "Na prefeitura, todas as informações são nesse sentido", afirmou.

O ex-governador demonstrou otimismo para a convenção do partido, que vai escolher o candidato entre as duas chapas registradas.

"Esta disputa me faz o melhor candidato. As coisas de mão beijada não têm a mesma força. Na segunda-feira, o PSDB terá candidato próprio."

O deputado federal Silvio Torres, um dos tucanos mais próximos de Alckmin, também apontou pressões sobre os delegados.

"É uma falta de respeito que um partido (o DEM) interfira em outro. Há ação do prefeito para convencer delegados nossos", queixou-se.

DESESPERO

Gilberto Natalini, vereador tucano que encabeçou o movimento pela chapa kassabista, disse à Reuters que as acusações são vagas e não indicam quem foi pressionado e quem pressionou.

"O que estou achando é que existe desespero deles porque estão sentindo que vão perder a convenção. Estão tentando desqualificar nossa tese", afirmou.

O vereador revidou a acusação ao denunciar que os alckmistas estariam telefonando a delegados para pressioná-los a retirar as assinaturas da chapa kassabista, o que, segundo Natalini, está fora do prazo legal, encerrado na terça-feira.

O diretório municipal, no entanto, não deixou claro se haverá punições após a convenção.

"Há uma previsão legal concedida à executiva nacional do partido de não acolher uma candidatura que não seja do próprio partido. Esta prerrogativa existe", afirmou o presidente do diretório, José Henrique Reis Lobo.

Ressalvando que Alckmin é o candidato oficial do partido e que a outra chapa é integrada por dissidentes, Lobo disse que espera que a prerrogativa não seja usada uma vez que houve o registro das chapas e o resultado que sair da convenção deve ser respeitado.

O presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra, no entanto, está em São Paulo para encontros com kassabistas.

Além do PSDB e do PHS, Alckmin tem o apoio do PTB e de outros dois partidos pequenos, PSDC e PSL, que lhe garantem cerca de 6 minutos em cada bloco da propaganda eleitoral gratuita, que começa em agosto. O PHS descartou a candidatura da ex-tucana Zulaiê Cobra, que aderiu à candidatura Kassab, oficializada pelo Democratas no sábado passado. (Reportagem de Carmen Munari)

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