ANÁLISE-Preços do aço: até onde eles podem subir?

segunda-feira, 19 de maio de 2008 14:42 BRT
 

Por Steve James

NOVA YORK, 19 de maio (Reuters) - Os preços do aço podem subir ainda mais, após avançarem praticamente 50 por cento neste ano, diante do custo crescente das matérias-primas num cenário com poucos sinais de desaquecimento na demanda.

As siderúrgicas vêm elevando os preços do aço em parte para aproveitar o mercado mais forte, após anos de declínio na indústria, mas também para compensar os custos elevados do minério de ferro, da sucata e do carvão, matérias-primas essenciais para a fabricação do aço.

Outras têm exigido regularmente um acréscimo às exportações para cobrir custos adicionais com a fabricação do metal, que possui forte demanda na China, Índia e outros países cujas economias apresentam crescimento.

"Não chegamos ao pico", disse Michelle Applebaum, analista independente da indústria de aço em Chicago, na sexta-feira. "Os preços das matérias-primas continuarão subindo, assim como os do aço."

Michael Locker, que dirige a Locker Associates, consultoria para siderúrgicas em Nova York, afirmou que a ascensão dos preços do aço não deve recuar muito no curto prazo.

"Os preços devem atingir o pico em breve, e então recuar um pouco. Atualmente estamos entre 1.100 e 1.150 dólares (por tonelada), para o aço laminado a quente e deve cair para 800 ou 900 dólares. Mas eu não vejo os preços voltando para os 400 dólares que tivemos no ano passado", avaliou.

Os preços já incomodam os consumidores de aço, mas em geral não há alternativa. A Toyota Motor Corp (7203.T: Cotações) recentemente concordou em pagar à Nippon Steel Corp (5401.T: Cotações) e outras siderurgias japonesas 30 por cento a mais pela chapa de aço.

Com aumentos de 65 e 71 por cento no valor do minério de ferro, estabelecidos após acordos com a Vale (VALE5.SA: Cotações), e a possibilidade de um incremento de 85 por cento sobre os preços do minério de ferro australiano neste ano, as siderurgias encontram-se sem saída.   Continuação...