Cesar Maia prevê que fim de embargo "desmancha" regime cubano

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008 19:56 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, do conservador Democratas, acredita que, após a renúncia ao poder de Fidel Castro nesta terça-feira, o fim do embargo econômico que os Estados Unidos impõem a Cuba implodiria o regime socialista cubano.

"Saí de Cuba com a nítida impressão que o bloqueio idiota que os Estados Unidos fazem só interessa a Cuba. A abertura do bloqueio econômico desmancha o regime autoritário em menos de dois anos. Foi minha sensação", disse o prefeito por email à Reuters.

Ele se referia a uma visita ao país em 2004, quando participou das festividades do aniversário de Havana. Cesar Maia afirmou ainda que era possível perceber uma disputa interna entre o irmão de Fidel, Raúl Castro, seu provável substituto a partir de semana que vem, e o ministro da economia, José Luiz Rodriguez, o mesmo até hoje.

"Havia uma luta iniciada pelo poder entre o jovem 'primeiro ministro da economia' e o irmão de Fidel Castro. Nem tão surda. Creio que vai se intensificar", previu.

O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), crê que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ter participação no processo de abertura de Cuba.

"É o fim de um ciclo marcado por pontos altos e pontos baixos de atuação tanto no plano doméstico quanto no internacional. Espero que Cuba saiba aproveitar o momento para voltar a se inserir no plano internacional", disse Agripino.

"Lula, como amigo de Fidel e de Cuba, deve ajudar nessa reinserção. Deve exercer interlocução de Cuba com os Estados Unidos e a União Européia para acabar com o bloqueio, obedecidas as regras da boa convivência democrática, leia-se o respeito aos direitos humanos", completou.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), preferiu mencionar, de forma indireta, uma das famosas frases de Fidel, "A História me absolverá".

"É uma mudança profunda. Ele sempre foi uma figura central pós-revolução e continuará sendo. Ele está produzindo a transição em vida. Eu acho que todos os que dirigem uma revolução permanecem na história e serão julgados pela história", afirmou.   Continuação...