FMI pede que grandes economias façam reformas já definidas

segunda-feira, 19 de novembro de 2007 12:46 BRST
 

Por Boris Groendahl

VIENA (Reuters) - A volatilidade dos mercados não deve atrasar os planos internacionais de combater os desequilíbrios globais e proteger o crescimento econômico, disse nesta segunda-feira o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

John Lipsky afirmou em uma conferência do banco central da Áustria, em Viena, que deixar de pressionar por reformas nas principais economias pode ameaçar a expansão global.

"A conclusão do FMI é de que, ainda que os recentes acontecimentos tenham aumentado os riscos, o cenário final mais provável continua favorável desde que as políticas apropriadas sejam implementadas, principalmente nas economias importantes", disse Lipsky.

"O fracasso nessa tarefa traria o risco de um ajuste mais abrupto e potencialmente mais problemático que pode ameaçar o crescimento", acrescentou.

Os Estados Unidos, a zona do euro, o Japão, a China e a Arábia Saudita concordaram com uma série de medidas voluntárias com o FMI, que inclui o aumento da poupança dos Estados Unidos, a implementação de reformas estruturais na Europa e no Japão, o aumento da flexibilidade cambial na China e o aumento do investimento nos países produtores de petróleo.

"Agora é vital que essa agenda seja implementada completamente, e a recente turbulência do mercado não pode distorcer ou atrasar os ajustes políticos necessários."

Ele disse que simulações do FMI mostraram que o crescimento econômico global seria 0,5 ponto percentual maior no médio prazo se todos os países implementassem as medidas. A Europa em particular cresceria mais rápido com as reformas recomendadas.

A turbulência nos mercados financeiros a partir de agosto, quando a inadimplência nas hipotecas disparou uma crise de crédito, e a preocupação com a economia dos Estados Unidos aceleraram o declínio do dólar.

Mas Lipsky afirmou que a desvalorização das moradias norte-americanas pode encorajar a poupança privada, após anos em que os consumidores financiavam seus gastos com empréstimos sustentados na valorização de suas casas.

"A diminuição da poupança dos consumidores norte-americanos parece ter chegado ao ponto máximo... Há fortes razões para antecipar que a poupança vai voltar ao normal nos próximos anos", disse.