América Latina não tem estrutura para fábrica de chips, diz AMD

segunda-feira, 19 de maio de 2008 17:16 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A América Latina não tem infra-estrutura atualmente para abrigar uma fábrica completa de semicondutores, que exigiria investimentos de bilhões de dólares, afirmou nesta segunda-feira o presidente-executivo da AMD, segunda maior empresa do setor no mundo.

"Na indústria de semicondutores precisa-se de 4 bilhões de dólares para se fazer uma fábrica de chips... Não existe país na América Latina que tenha infra-estrutura capaz de abrigar uma fábrica de chips hoje", disse o executivo.

Ruiz veio ao Brasil para participar do seminário IC Executive Summit sobre oportunidades de investimento no setor no país. O evento é promovido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e contará com representantes das maiores empresas do mundo em produção de chips.

A afirmação do executivo acontece em um momento em que o governo federal coloca a indústria de semicondutores como um dos pontos principais de sua política de desenvolvimento.

O plano de Ação para Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional (PAC-TI) prevê investimentos no setor de microeletrônica que incluem ampliação de sete para 15 no número de centros de desenvolvimento de circuitos integrados e expansão na formação de recursos humanos voltados para o setor.

De acordo com Ruiz, instalações mais modestas que envolvem montagem e teste de chips são mais simples de serem instaladas e exigem menos investimentos, embora a AMD não esteja avaliando ainda nenhum local para uma nova instalação produtiva.

"Viemos saber o quão agressivo está o governo com seus planos para a indústria. Estou aqui para aprender", disse Ruiz, afirmando que "as oportunidades de investimento no Brasil são muito fortes".

Ruiz afirmou que até 2020 a necessidade por semicondutores no mundo será cinco vezes maior que a atual e que os gastos no segmento são feitos mirando o longo prazo.

"A indústria de semicondutores é como uma roleta-russa, leva-se quatro anos para saber se haverá uma bala no revolver", brincou o executivo.

Sem revelar números, Ruiz afirmou que a América Latina, com cerca de 450 milhões de habitantes, é importante para a empresa, apresentando um dos maiores crescimentos para a companhia. De acordo com o vice-presidente para a região, José Scodiero, a América Latina respondeu por 6 A 8 por cento do faturamento bruto global da AMD em 2007.

(Reportagem de Alberto Alerigi Jr.; Edição de Alexandre Caverni)