ANÁLISE-Deságio de Jirau surpreende e mercado refaz contas

segunda-feira, 19 de maio de 2008 18:20 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 19 de maio (Reuters) - Mais uma vez o leilão de concessão de uma usina hidrelétrica do rio Madeira, em Rondônia, surpreendeu o mercado, que agora refaz suas contas para entender como o grupo liderado pela belgo-francesa Suez Energy conseguiu oferecer um preço 21,5 por cento inferior ao inicial de 91 reais o megawatt hora.

No leilão anterior, da usina de Santo Antônio, vencido pelo consórcio derrotado em Jirau e liderado por Furnas e Odebrecht, o deságio foi de 35 por cento sobre um preço mínimo de 122 reais o megawatt hora e a expectativa para o segundo leilão era de desconto de no máximo 10 por cento sobre o preço mínimo.

"Foi um resultado ruim, com retorno bastante duvidoso considerando os parâmetros que a gente têm disponíveis hoje, e principalmente levando em conta a trajetória altamamente positiva que a Suez tem no Brasil", afirmou a analista Mônica Araújo, da corretora Ativa.

Em leilão realizado pela Suez na sexta-feira, para venda de 30 por cento da energia de Jirau ao mercado livre, o preço girou entre 120 e 130 reais o megawatt hora, dependendo do prazo da entrega, segundo a Comerc, uma das principais comercializadoras e gestoras de energia do país.

As ações do braço da companhia no país, a Tractebel Energia Suez TBLE3.SA, sentiram imediatamente a desconfiança do mercado em relação ao preço oferecido pelo consórcio, que é integrado também pelas estatais Eletrosul e Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), além da construtora Camargo Corrêa.

Os papéis da Tractebel fecharam em queda de 6,03 por cento, enquanto o Ibovespa subiu 0,92 por cento no dia. A Suez Energy, por meio da Tractebel Energia Suez, é responsável por cerca de 8 por cento da geração de energia no Brasil. A empresa é líder em geração privada com um parque gerador de 13 usinas hidrelétricas com capacidade instalada de 5.918 megawatts.

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