19 de Dezembro de 2007 / às 17:14 / 10 anos atrás

CORREÇÃO-Renault aposta no Brasil mas alerta para efeito-EUA

(Corrige, no 6o parágrafo, que Sentra é produzido pela Nissan, e não pela Renault; no 8o parágrafo, que a Nissan importa veículos da Tailândia, e não de Taiwan)

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - Prevendo impacto da desaceleração econômica dos Estados Unidos sobre o Brasil, o presidente mundial do grupo Renault Nissan, Carlos Ghosn, estima crescimento das vendas para a indústria automobilística brasileira em 2008 abaixo da projeção feita pela associação das montadoras, a Anfavea.

Embora tenha se apresentado como um otimista sobre as perspectivas do mercado local e de outros países em desenvolvimento para o ano que vem, o executivo nascido no Brasil disse que persistem dúvidas.

"Essa é a grande pergunta: qual será o tamanho da desaceleração da economia americana? E, segundo, quais as consequências sobre a economia brasileira?", disse Ghosn a jornalistas nesta quarta-feira. "Nossa avaliação é que o mercado brasileiro crescerá mais de 10 por cento em 2008, e que a Renault terá participação maior de mercado", afirmou, emendando que a montadora de origem francesa tem hoje fatia de 3 por cento no Brasil.

A estimativa da Anfavea é de vendas 17,5 por cento maiores no próximo ano, chegando a 2,88 milhões de unidades, após expansão de 27 por cento em 2007. As exportações, por outro lado, devem cair 5,1 por cento em volume em 2008, para 740 mil veículos, prevê a associação.

No cenário traçado por Ghosn, o real deve continuar se apreciando, assim como o euro, derrubando a competitividade brasileira. Para o executivo, essa valorização da moeda local é um processo natural em um país que está crescendo de forma sustentável.

"O Brasil já foi um mercado muito competitivo em termos de custos, e essa realidade está se transformando, o que é normal", afirmou. "No passado, havia a oportunidade de vender mais do Brasil para o México. Em 2007, esse comércio se inverteu completamente", comentou. A Nissan comercializa no país o Sentra mexicano.

A Renault registrou expansão de 40 por cento este ano no mercado brasileiro, segundo Ghosn. As vendas de 73 mil veículos no mercado interno levaram ao equilíbrio no resultado operacional em 2007 e expectativa de margem operacional positiva em 2009. A capacidade instalada de 260 mil carros está, no entanto, ainda está longe de ser totalmente utilizada. Por isso, não há previsão de investimentos imediatos em infra-estrutura, antecipou o executivo.

Já a Nissan, montadora de origem japonesa que integra o grupo, continua registrando perdas no Brasil --o único país onde isso acontece, segundo Ghosn. Ele admitiu que importar veículos do México e de Tailândia não é a melhor estratégia de longo prazo para a marca no Brasil e afirmou que a montadora desenvolverá um veículo intermediário no país.

INDÚSTRIA MUNDIAL

A aposta mais forte da Renault para 2008 é a Rússia, após a aquisição de 25 por cento da empresa AvtoVAZ, a maior montadora do país. Índia e China, que compõem com o Brasil e a Rússia o quarteto de países batizado de BRIC, também representam boas perspectivas de crescimento, assim como o Oriente Médio, o norte e o Sul da África, além de outros países latino-americanos.

"O Brasil vai crescer mais que alguns e menos que outros. A Rússia vai ser campeã de desenvolvimento econômico em 2008", afirmou Ghosn. "Talvez o crescimento dos BRIC seja menos forte que 2007 por causa da estagnação da economia americana, que vai ter algumas consequências sobre esses países", ponderou.

Os prognósticos são menos positivos para EUA, Europa Ocidental e Japão. "O mercado americano vai ficar em 16 milhões de carros vendidos em 2007. Se ficar em 16 milhões em 2008, será muito boa surpresa", disse. "O Japão vai continuar no declínio que começou alguns anos atrás, e a Europa Ocidental, na melhor das hipóteses, ficará no mesmo nível que 2007."

O executivo confirmou que a Nissan está em discussão de contrato OEM (original equipment manufacturing) com a norte-americana Chrysler, mas descartou que uma aliança esteja em pauta.

"Como eu já falei muitas vezes que a aliança estratégica pode ter uma expansão num futuro e que essa expansão vai ser logicamente aberta a uma montadora americana, tem muita especulação de que talvez, com a Chrysler, não seja só OEM", afirmou. "Estou querendo dizer hoje que é um acordo de OEM com a Chrysler", concluiu.

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