ANÁLISE-Economia cubana mudará, mas lentamente

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008 16:45 BRT
 

Por Marc Frank

HAVANA (Reuters) - A renúncia de Fidel Castro como líder supremo de Cuba significa que mudanças na economia socialista comandada por ele durante 50 anos são inevitáveis, mas especialistas dizem que ninguém deve esperar que muita coisa seja feita em pouco tempo.

"Não espere que as comportas do investimento externo se abram, muito menos o aparecimento de milionários cubanos. Haverá medidas cuidadosamente planejadas para tornar a economia mais eficaz, e a pequena iniciativa será recompensada", disse John Kirk, um historiador canadense e escritor em Cuba.

"Os Arcos Dourados (símbolo do McDonald's) e o Wal-Mart não chegarão em Cuba em breve", acrescentou.

Desde que assumiu o poder na revolução de 1959, Castro manteve uma economia controlada pelo Estado, com pouco espaço para a iniciativa privada e avessa ao tipo de reforma que trouxe rápido crescimento a outros países comunistas como China e Vietnã.

A economia da ilha passou por épocas perigosas, especialmente nos anos 1990 quando o colapso da União Soviética representou o fim do apoio da superpotência da Guerra Fria. Escassez de alimentos e outros bens básicos eram parte da rotina dos cubanos.

Mas as coisas melhoraram desde 2004, impulsionadas pela aliada Venezuela, pelo suave crédito chinês e pelos altos preços do níquel.

O aumento da renda permitiu que o governo dobrasse importações, melhorasse a infra-estrutura, relativamente equilibrasse sua balança --apesar de um enorme déficit comercial--, pagasse dívidas contraídas desde 1991 e registrasse forte crescimento.

Mas a forte ineficiência industrial, a reduzida produção agrícola e a baixa qualidade de bens e serviços continuaram.   Continuação...