February 20, 2008 / 7:39 PM / 9 years ago

ANÁLISE-Economia cubana mudará, mas lentamente

4 Min, DE LEITURA

Por Marc Frank

HAVANA (Reuters) - A renúncia de Fidel Castro como líder supremo de Cuba significa que mudanças na economia socialista comandada por ele durante 50 anos são inevitáveis, mas especialistas dizem que ninguém deve esperar que muita coisa seja feita em pouco tempo.

"Não espere que as comportas do investimento externo se abram, muito menos o aparecimento de milionários cubanos. Haverá medidas cuidadosamente planejadas para tornar a economia mais eficaz, e a pequena iniciativa será recompensada", disse John Kirk, um historiador canadense e escritor em Cuba.

"Os Arcos Dourados (símbolo do McDonald's) e o Wal-Mart não chegarão em Cuba em breve", acrescentou.

Desde que assumiu o poder na revolução de 1959, Castro manteve uma economia controlada pelo Estado, com pouco espaço para a iniciativa privada e avessa ao tipo de reforma que trouxe rápido crescimento a outros países comunistas como China e Vietnã.

A economia da ilha passou por épocas perigosas, especialmente nos anos 1990 quando o colapso da União Soviética representou o fim do apoio da superpotência da Guerra Fria. Escassez de alimentos e outros bens básicos eram parte da rotina dos cubanos.

Mas as coisas melhoraram desde 2004, impulsionadas pela aliada Venezuela, pelo suave crédito chinês e pelos altos preços do níquel.

O aumento da renda permitiu que o governo dobrasse importações, melhorasse a infra-estrutura, relativamente equilibrasse sua balança --apesar de um enorme déficit comercial--, pagasse dívidas contraídas desde 1991 e registrasse forte crescimento.

Mas a forte ineficiência industrial, a reduzida produção agrícola e a baixa qualidade de bens e serviços continuaram.

O irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro, de 76 anos, deve ser nomeado o novo presidente de Cuba quando a Assembléia Nacional eleger um novo Conselho de Estado no domingo, e a expectativa é que ele faça mudanças na economia.

Como presidente em exercício desde que Fidel ficou doente há mais de 18 meses, Raúl encorajou o debate sobre os problemas econômicos do país e levantou expectativas de muitos cubanos.

Mas não foram feitas grandes reformas até o momento, e especialistas alertam que as mudanças serão lentas e seguras.

"Precisamos de tempo e há tempo para transformar a economia, mas isso deve ser feito primeiro em relação à distorções como política de preços e setores que diretamente têm impacto na população, como a agricultura", disse recentemente o economista cubano Juan Triana a uma classe de estudantes universitários.

Outro economista cubano, que pediu para não ser identificado, afirmou que Raúl terá que lutar tanto com Fidel como com interesses burocráticos que se opõem à mudança.

"Minha expectativa é que veremos algumas novas medidas nos próximos meses para melhorar nossas vidas um pouco, mas elas serão de natureza mais populista do que estrutural", disse.

Ainda não está claro o quão reformista Raúl Castro planeja ser. Ele é um socialista comprometido e tem sido o aliado e conselheiro mais próximo do irmão desde que fizeram parte da guerrilha em Sierra Maestra.

Já Frank Mora, da Faculdade Nacional de Guerra em Washington D.C., relatou esperar poucas medidas dos irmãos Castro.

"O imperativo político sempre superou o crescimento econômico e o desenvolvimento em Cuba", analisou.

(Reportagem de Marc Frank)

Reuters as Mpn

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