20 de Dezembro de 2007 / às 19:53 / 10 anos atrás

Após acirrado leilão 3G, Claro diz que é hora de fazer as contas

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - “A hora é de sentar e fazer as contas”, alerta João Cox, presidente da Claro, a operadora de telefonia celular que mais se comprometeu com o leilão de licenças de terceira geração (3G), concluído nesta quinta-feira.

A Claro arrematou nove licenças, garantindo cobertura nacional, com o compromisso de desembolsar 1,4 bilhão de reais. Como esse pagamento será feito, se sairá do caixa da Claro, subsidiária da mexicana América Móvil, ou se virá de captação, ainda não está definido, segundo Cox.

O executivo admitiu que o ágio médio pago pela empresa, de 103 por cento, ficou acima do esperado. Ele evitou divulgar a previsão de ágio com que a Claro trabalhava antes do leilão, mas reconheceu que “foi uma surpresa” a ousadia da Nextel, operadora de serviços corporativos.

“Foi um leilão tenso, com ágio médio que não era esperado no setor”, reconheceu Cox. Assegurando que a Claro fará os investimentos necessários, ele acrescentou que é cedo para afirmar se os gastos elevados com as licenças terão impacto sobre o ritmo de contratação da rede.

Cox observou que o modelo de 3G prevê o compartilhamento de rede entre as operadoras, um fator que tende a reduzir custos, mas as incógnitas ainda são muitas nesse campo --por exemplo, sobre quem terá o controle dos clientes.

O elevado ágio médio --quase 90 por cento-- em um leilão com quatro licenças para cada uma das 11 áreas, que poderiam ter sido arrematadas basicamente pelas quatro maiores operadoras do país, levou o mercado de capitais a questionar a viabilidade do negócio.

“Destacamos que ainda existem diversas dúvidas se os investimentos que as operadoras terão que realizar para a implantação da rede 3G, tendo em vista inclusive as obrigações de cobertura que as empresas terão que realizar, serão compensados por uma maior receita no horizonte de curto prazo, em função de preços mais elevados dessa tecnologia e menor poder aquisitivo da população brasileira”, comentaram os analistas Felipe Cunha e Beatriz Battelli, da corretora Brascan.

NEXTEL AINDA QUER 3G

A aposta na tecnologia conhecida por “terceira geração” --que permite, entre outros, videoconferência pelo celular-- continua valendo também para a Nextel, segundo executivos da empresa.

Embora tenha ficado sem qualquer licença no leilão de três dias realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a operadora que tem 1,2 milhão de clientes mira agora na quinta subfaixa de 3G que o órgão regulador ofertará, em 2008.

O vice-presidente de Marketing da Nextel, Mario Carotti, informou que a expectativa é complementar os serviços atuais de radiocomunicação pela plataforma iDEN, da Motorola, com oferta de conexão rápida à Internet que a 3G permite.

Explicando a ofensiva inesperada no leilão desta semana, o vice-presidente jurídico e regulatório da Nextel, Alfredo Ferrari, afirmou que a empresa tinha um “business case” que justificava a agressividade no primeiro dia, quando o ágio recorde chegou a 274 por cento.

Sem sucesso na disputa por licenças da região que englobava Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe, o “business case” se alterou, segundo Ferrari. “Decidimos então mudar de estratégia e não sermos mais tão agressivos”, disse.

O executivo negou que a fabricante Motorola estivesse na retaguarda dos lances feitos pela Nextel no leilão, como chegou a ser noticiado. “Estávamos atuando isoladamente”, disse.

A Nextel brasileira, subsidiária da norte-americana NII Holdings, descartou ser alvo de fusão ou aquisição neste momento, de acordo com Ferrari.

Para os analistas Vera Rossi e Davis Bell, do Morgan Stanley, é negativo para a NII o fato de a Nextel Brasil não ter adquirido licença 3G para os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, mercados importantes no segmento corporativo. “Se o órgão regulador não oferecer subfaixa adicional, a NII vai ficar atrasada em relação à concorrência em termos tecnológicos”, afirmaram em relatório.

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