20 de Maio de 2008 / às 18:09 / em 9 anos

Suez espera participar de projetos no Brasil após Jirau

PARIS (Reuters) - A Suez espera participar de diversos projetos de larga escala no Brasil após um consórcio liderado pelo grupo francês ter obtido a concessão para a construção da usina hidrelétrica de Jirau, num valor estimado em 5 bilhões de dólares.

Prestes a concluir a fusão com a fornecedora estatal de gás francesa Gaz de France nas próximas semanas, a Suez afirmou que o acordo brasileiro seria lucrativo, apesar de ter concordado em comercializar dois terços da energia produzida pela usina a preços 45 por cento menores do que a média do mercado.

“Na Europa, tudo que poderia ser construído foi construído, enquanto o Brasil utiliza apenas um terço do potencial hidrelétrico, então existem múltiplos grandes projetos no futuro”, afirmou Dirk Beeuwsaert, diretor da divisão de Energia Internacional da Suez durante uma teleconferência.

O crescimento econômico do Brasil resultou na necessidade de um aumento anual de 4.500 megawatts (MW) na geração de energia do país, acrescentou.

A concessão para construir, operar e comercializar os 3.300 MW --uma oferta firme de 1.905 MW médios-- do projeto de Jirau, no rio Madeira, foi garantido para o consórcio liderado pela Suez na segunda-feira.

A Suez possui uma participação de 50,1 por cento no projeto, que consumirá um investimento de 3,3 bilhões de euros (5,14 bilhões de dólares) e iniciará a produção em 2012.

O grupo venceu um consórcio que incluía um fundo de investimentos composto pelo banco espanhol Santander e o banco português Banif .

Cerca de 70 por cento da eletricidade que será produzida na usina de Jirau foi pré-comercializada para distribuidoras locais de energia por 71,40 reais (43,27 dólares) por MW, segundo Beeuwsaert, o que representa um faturamento garantido de 9,6 bilhões de euros para o consórcio durante 30 anos a partir de 2013.

O preço será significativamente menor do que os 130 reais por MW pelo qual os parceiros de consórcio da Suez venderão os 30 por cento restantes de energia ao mercado.

Beeuwsaert, no entanto, insistiu que o projeto possuía condições para garantir a lucratividade.

“Como em todos os nossos outros projetos, temos regras muito rígidas sobre a lucratividade. Posso dizer que os outros projetos, assim como este, são amplamente superiores ao critério que estabelecemos em termos de lucratividade”, acrescentou.

Além da Suez, o consórcio vencedor era integrado por duas subsidiárias da Eletrobrás, a Chesf e a Eletrosul, e pelo conglomerado do setor de construções Camargo Correa.

Por Benjamin Mallet e Marie Maitre

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