May 20, 2008 / 4:49 PM / in 9 years

CONSOLIDA-Preço de alimentos é pressão comum a varejo e atacado

5 Min, DE LEITURA

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO, 20 de maio (Reuters) - Os índices de inflação mantiveram-se em aceleração na segunda leitura do mês de maio, refletindo, sobretudo, as variações internacionais das commodities e aumentos sazonais de alimentos.

A aceleração ocorreu tanto no atacado como no varejo. No atacado, contudo, a tendência foi mais forte e disseminada, enquanto no varejo concentrou-se nos alimentos --indicando que repasses de aumentos de custos industriais não estão, por enquanto, sendo feitos de forma significativa para o consumidor.

A estimativa dos analistas é de que os índices desacelerem em junho, fazendo de maio o pico do ano, principalmente para o atacado.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo, divulgado nesta terça-feira pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) subiu 0,89 por cento na segunda quadrissemana de maio, superando a alta de 0,68 por cento na primeira e a previsão de analistas de elevação de 0,75 por cento.

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) avançou 1,54 por cento na segunda prévia do mês, ante 0,37 por cento em igual período de abril e previsão de 1,51 por cento.

"Os produtos que estão em alta no atacado e no varejo têm uma transmissão quase que direta, como o arroz, mas não na mesma magnitude", disse Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimento.

"Existe uma preocupação de que os industriais venham a afetar o varejo lá na frente, mas por enquanto não estamos vendo isso. O que vimos nesses dois índices é uma pressão de alimentos, que afeta ambos, e uma pressão de commodities."

No IPC-Fipe, Alimentação subiu 1,77 por cento na segunda quadrissemana, ante 1,23 por cento na primeira.

No IGP-M, no atacado os agrícolas subiram 2,21 por cento na segunda leitura do mês, após caírem 1,72 por cento na segunda de abril. Os preços industriais tiveram forte elevação de 1,95 por cento no atacado, ante avanço anterior de 0,98 por cento.

Prova de que esse repasse na cadeia não é tão significativo é a abertura dos dados do IGP-M. Enquanto as matérias-primas brutas e os bens intermediários subiram, respectivamente 3,36 e 1,85 por cento, os bens finais avançaram 1,08 por cento, tendo como maior contribuição os preços dos alimentos processados.

Os índices impactaram os juros futuros. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2010 subia para 14,34 por cento e o DI janeiro de 2009 avançava a 13,12 por cento.

"As preocupações com a inflação doméstica seguem no centro dos debates, sobretudo no segmento de juros, que é influenciado pelo anúncio do IGP-M e do IPC-Fipe", disse Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

DESACELERAÇÃO

Serrano acredita que o IGP-M encerrará maio próximo de 1,70 por cento, mas desacelerará para mais perto de 1 por cento, podendo até mesmo cair abaixo desse patamar em junho.

"Em junho continua a pressão sazonal dos bovinos, mas no restante, se não tiver nenhuma surpresa nova, teremos o IGP mais baixo e os IPCs a 0,30-0,38 por cento, patamar que anualizado fica compatível com o centro da meta de inflação."

Ele ressaltou, no entanto, que o front inflacionário ainda segue pressionado e em patamares elevados. "A inflação não dá refresco no curto prazo... Podemos ter esse pequeno alívio em junho, mas não se sabe se isso vai ser duradouro."

A visão no mercado é de que, para conter a inflação e as expectativas, o Comitê de Política Monetária (Copom) siga elevando a taxa básica de juro em 0,50 ponto percentual.

Alguns economistas apostam até em alta de 0,75 ponto, mas a maioria acredita na manutenção do ritmo de 0,50 ponto.

"Essa piora no balanço de riscos da inflação (dados correntes e estimativas do mercado para o ano) reflete a política monetária passada e choques adversos... Não há muito que o Banco Central possa fazer para evitar que a inflação ultrapasse o centro da meta neste ano", afirmou Zeina Latif, economista do ABN Amro Real.

"O objetivo do BC deve ser evitar uma deterioração das expectativas."

Edição de Isabel Versiani

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