20 de Junho de 2008 / às 16:17 / 9 anos atrás

Mercado revê para baixo previsão de IGP-M de junho após surpresa

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado começou a revisar para baixo as projeções para o IGP-M de junho, para provavelmente abaixo de 2 por cento, depois do dado abaixo do esperado na segunda leitura do mês, o que é uma boa notícia no curto prazo mas não significa necessariamente o início de um alívio das fortes pressões de preços no atacado.

Além do impacto das commodities internacionais, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) enfrenta as incertezas sobre o tamanho da alta do feijão e da carnes, produtos que já estão pressionando os indicadores e se acentuarão à frente, tomando o lugar de pressões que já começam a arrefecer, como o arroz.

Enquanto acredita-se que o pico da inflação ao consumidor foi em maio, o mercado não consegue prever o ápice dos IGPs --formados sobretudo pelo atacado. Isso porque apesar de os preços de feijão e carnes também impactarem o varejo, os aumentos de commodities como aço e energia batem diretamente apenas nos índices de atacado.

Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, espera agora uma inflação pelo IGP-M deste mês de 1,90 por cento, ante a projeção anterior de 2 por cento.

"O número da segunda prévia surpreendeu. Foi um pouco de atacado, tanto agrícola como industrial, que subiu menos do que a gente esperava", disse ele.

O IGP-M subiu 1,83 por cento na segunda prévia de junho ante 1,54 por cento no mesmo período de maio. Uma pesquisa da Reuters mostrou que a faixa de projeções dos analistas era de 1,90 a 2,20 por cento.

"REFÉNS" DO EXTERIOR

Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimento, também pretende fazer uma ligeira correção na projeção do mês, de 2,10 por cento para algo em torno de 2 por cento, mas ressaltou que esse ainda é um patamar bastante alto.

O número superaria a inflação de 1,61 por cento apurada pelo IGP-M em maio e seria a maior taxa do ano.

"Os IGPs ainda continuam muito pressionados. Ainda há muita incerteza para eles, sobretudo na questão das commodities... Os IGPs estão reféns de lá de fora", afirmou Rosa.

Tanto o conjunto dos preços agrícolas como o de industriais --ambos impactados em grande parte por cotações externas-- apontaram estabilidade da alta na segunda leitura de junho, mas ainda bem elevados, em respectivamente 2,26 e 1,97 por cento, ante 2,21 e 1,95 por cento na segunda prévia de maio.

Para Zeina Latif, economista-chefe do ABN Amro Real, ainda não há certeza de que essa estabilidade indique o fim das pressões.

"O número de hoje ainda não captou as novas rodadas de alta do aço e não captou também a alta mais forte dos bovinos... Isso ainda está por vir", disse ela.

JURO REAGE, MAS POUCO

O dado abaixo do esperado da segunda prévia do IGP-M chegou a patrocinar alguns momentos de queda dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) na BM&F pela manhã, mas a tendência foi logo revertida.

O DI janeiro de 2010 subia de 14,72 por cento na véspera para 14,81 por cento e o janeiro de 2009 avançava de 13,21 para 13,225 por cento por volta das 13h12.

A alta resultava da retomada da tendência de alta do petróleo e pela frustração com a reunião da véspera do governo, que não resultou em novas medidas contra a inflação, como especulava o mercado. Os juros também estavam atentos ao leilão de títulos públicos prefixados, que ocorre nesta sexta-feira após ter sido cancelado na véspera por problemas técnicos.

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