Cerimônia do PAC em SP tem vaias e preocupação apartidária

terça-feira, 20 de maio de 2008 18:57 BRT
 

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na favela de Heliópolis, zona sul da capital paulista, para anunciar contratos de obras do Programa de Aceleração do Crescimento, foi um misto de vaias e aplausos, espera de horas sob sol forte e insistência das autoridades federais ao afirmar que o PAC não é plano de um partido.

"Estão representados neste palco diversos partidos. O PAC é de todos, não é partidário", disse o ministro Marcio Fortes (Cidades), que é do PP.

Acompanhado por outros quatro ministros, Lula dividiu o palco, instalado em uma viela da favela, com o governador paulista José Serra (PSDB) e o prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), de legendas de oposição, além de senadores, deputados e lideranças da comunidade.

Marcado para começar às 12h45, o evento ao ar livre teve início quase uma hora depois, mas o público chegou ao local bem antes do horário programado e esperou de pé. Uma boa parte da multidão não pôde sequer ver as autoridades, porque o tablado para a imprensa impedia a visibilidade. A favela tem cerca de 60 mil moradores, uma das maiores da capital.

Após afirmar que nos últimos 50 anos a população carente não teve acesso a serviços de infra-estrutura de qualidade, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), cotada para concorrer à sucessão de Lula, disse que os investimentos do PAC alteram o padrão tradicional de acordo entre partidos.

"Parceria com governo e município, parceria diferente que rompe os padrões de política feito no Brasil até hoje que é dar dinheiro só para aqueles que concordam contigo, não olhando o interesse da população, mas olhando o interesse imediato daquele ou desse partido", disse Dilma, para quem a parceria reverte em um volume maior de investimentos.

Obras do PAC acertadas nesta terça-feira nas áreas de saneamento, urbanização e habitação para o município de São Paulo atingem 1,4 bilhão de reais em recursos da União, Estado e município.

Serra optou, no discurso, por responder ao estudo divulgado na segunda-feira pela ministra Marta Suplicy (Turismo), presente ao evento e que em breve deve assumir a candidatura à prefeitura de São Paulo.   Continuação...