23 de Outubro de 2007 / às 04:05 / 10 anos atrás

Principal negociador nuclear do Irã renuncia ao cargo

Por Edmund Blair

TEERÃ (Reuters) - O negociador-chefe do programa nuclear do Irã, Ali Larijani, renunciou ao cargo neste sábado, e o homem que vai substituí-lo pode representar uma posição linha-dura frente ao Ocidente sobre as ambições nucleares de Teerã.

Larijani era o principal contato entre as potências ocidentais e o governo iraniano em relação ao controverso programa nuclear do país.

A surpreendente decisão de Larijani expõe o racha entre o negociador e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que aceitou a renúncia.

Saeed Jalili, importante autoridade do Ministério de Relações Exteriores, assumirá o cargo de Larijani, e um porta-voz do governo disse que não haverá mudanças na política nuclear iraniana.

Um analista disse que a saída de Larijani e a nomeação de Jalili, considerado mais próximo ao presidente, sugere que as vozes mais linha-dura do poder estão ficando mais influentes, ganhando da linha mais pragmática.

"Larijani renunciou por razões pessoais, mais isso não significa que haverá mudanças em políticas e programas", afirmou Gholanhosseim Elham, porta-voz do governo.

O Ocidente teme que Teerã queira construir bombas atômicas e impôs dois conjuntos de sanções por meio da Organização das Nações Unidas (ONU). Teerã insiste que quer apenas produzir energia.

Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e principal negociador nuclear desde 2005, deveria se encontrar com o chefe de Política Externa da União Européia, Javier Solana, em Roma na terça-feira para mais negociações sobre as ambições nucleares do Irã.

A União Européia disse que as negociações devem continuar. "Acabamos de falar com os iranianos. Solana vai manter seu plano de viajar a Roma na terça-feira e vai se encontrar com o negociador que os iranianos enviarem", disse um porta-voz da União Européia.

Autoridades européias disseram que Larijani vinha encontrando dificuldades há algum tempo em conseguir que o alto escalão iraniano apoiasse sua estratégia de negociação.

Analistas iranianos disseram que Larijani discordava de Ahmadinejad quanto às táticas, embora ambos se oponham a deter o programa nuclear face à preocupação do Ocidente e às ameaças de mais sanções.

Grandes potências concordaram em adiar as novas sanções até novembro. Elas querem esperar para ver se o acordo do Irã com inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU renderá resultados, e também aguardam um relatório de Solana.

Washington recusou-se a excluir a possibilidade de usar a força caso a diplomacia falhe na resolução da disputa. A Rússia apóia o "diálogo direto" com Teerã e o presidente Vladimir Putin disse esta semana que não viu evidências de que o programa do Irã tenha fins militares.

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