20 de Fevereiro de 2008 / às 12:16 / 10 anos atrás

Insistência nuclear deixa potências "de joelhos", diz Irã

Por Parisa Hafezi

TEERÃ (Reuters) - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse na quarta-feira que a insistência de seu país em manter um programa nuclear colocou as grandes potências "de joelhos".

Em mais um discurso desafiador antes de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), a ser divulgado na sexta-feira, Ahmadinejad afirmou que o Irã vai ignorar os apelos das grandes potências para suspender atividades nucleares estratégicas, que já desencadearam dois pacotes de sanções da ONU.

"A nação iraniana não vai permitir que nenhuma potência pisoteie nem mesmo o menor dos direitos [nacionais]", disse ele em um discurso, transmitido pela TV, durante ato público na cidade portuária de Bandar Abbas (sul).

Esse tipo de discurso inquieta não só o Ocidente como também políticos moderados do Irã, preocupados com o isolamento internacional do país, que realiza eleições parlamentares em março.

O ex-negociador nuclear Ali Larijani, candidato a deputado, disse em declarações publicadas na quarta-feira que ele abandonou o cargo de negociador por causa de "diferenças [com Ahmadinejad] sobre o mecanismo de administração".

O diretor da AIEA, Mohamed El Baradei, já antecipou que o relatório de sexta-feira deve citar "bons progressos" na resolução de questões pendentes com o Irã, mas diplomatas dizem que esse texto não encerra as investigações.

O Ocidente suspeita que o Irã tenha interesse em desenvolver armas atômicas. A República Islâmica afirma que seu objetivo é apenas gerar energia para fins civis, liberando excedentes de gás e petróleo para exportação.

O Conselho de Segurança da ONU vai examinar os detalhes do relatório antes de concluir o texto de uma eventual terceira resolução com sanções.

"O desejo da nação iraniana em manter a atividade nuclear superou o desejo das grandes potências e as deixou de joelhos", disse Ahmadinejad, enquanto a multidão gritava "morte à América" e "Energia nuclear é nosso direito óbvio".

"Hoje [a AIEA], que está legalmente encarregada deste caso, preparou um relatório e anunciou que as atividades do Irã são legais e que não há desvio [de material nuclear para fins militares]", afirmou o presidente. "As grandes potências devem respeitar a agência e suas conclusões."

(Reportagem adicional de Mark Heinrich em Viena)

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