Empresas brasileiras buscam opções com aperto do crédito

quinta-feira, 20 de março de 2008 10:27 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - As empresas brasileiras já consideram alternativas, como financiamento bancário e emissão de papéis apenas no mercado doméstico, para garantir novos recursos em meio à crise global do crédito.

Bem capitalizadas, as companhias estão suportando bem o enxugamento das linhas externas, mas têm contemplado diversas opções, inclusive a de simplesmente postergar novas captações até que as taxas retornem aos níveis do ano passado. As alternativas passam também pela busca de recursos em bancos de fomento ou privados internacionais da Europa e Ásia.

De acordo com profissionais de bancos de investimentos, esse cenário, bem mais ameno que o enfrentado em crises anteriores, deve-se à combinação de um mercado de capitais vigoroso e da queda continuada do dólar frente ao real, o que permitiu às empresas reduzir e melhorar o perfil de endividamento, além de obter recursos para investimentos.

"Agora, quem tem dívidas para rolar, está preferindo pagar ou buscar outras fontes", disse José Guilherme Lembi de Faria, diretor-executivo do BBI.

A Energias do Brasil, que captou quase 1,2 bilhão de reais com uma oferta pública de ações em 2005, diz que está bem capitalizada e que não tem planos imediatos de captação. Se houver, a companhia já sabe em que porta bater.

"Há financiamento de projetos de infra-estrutura que contam com o apoio do BNDES", afirmou o vice-presidente de finanças e relações com investidores da companhia, Antônio Sellare.

A Vivo, maior operadora de celular do país em número de assinantes, começou a alongar o perfil de sua dívida no ano passado, por meio de uma linha de crédito de 1,5 bilhão de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outra de 250 milhões de reais junto ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

Agora a empresa pretende buscar outra linha no banco nordestino. O montante de 250 milhões de reais é o máximo financiado por essa instituição.   Continuação...