Adversários no Sul e no país,PCdoB e PPS se unem em Porto Alegre

sexta-feira, 20 de junho de 2008 13:58 BRT
 

PORTO ALEGRE (Reuters) - A disputa pela prefeitura de Porto Alegre está aproximando antigos adversários. PCdoB e PPS estavam em lados opostos na política gaúcha e continuam divergindo sobre o governo Lula, mas resolveram aplainar diferenças em nome de planos comuns para a cidade.

"(A política nacional) não é o que nos pauta. O PPS é diferente aqui no Estado e, em torno de um projeto local, temos afinidades", disse Adalberto Frasson, presidente estadual do PCdoB, à Reuters.

No Rio Grande do Sul, o PCdoB era um aliado tradicional do PT enquanto o PPS esteve mais próximo de partidos como PMDB e PSDB. A aliança foi selada com a confirmação do deputado estadual Berfran Rosado (PPS) como vice na chapa que terá a deputada federal Manuela D'Ávila (PCdoB) como candidata à prefeita. A expectativa de que a comunista repita o bom desempenho nas urnas estimulou os dois partidos a optar por táticas eleitorais longe de seus antigos parceiros.

Após dois anos como vereadora na capital, Manuela obteve mais de 271 mil votos para deputada, a terceira maior votação para a Câmara em toda a história do Rio Grande do Sul.

"Sempre trabalhamos com a idéia de candidatura própria. Está na hora do PCdoB se apresentar", disse o presidente estadual da legenda.

Oportunidade de crescer e manter independência também seriam as razões do PPS. Segundo declarações de Berfran Rosado a um jornal local, "o PPS quer ser protagonista" e não está disposto a ser "linha auxiliar de algum partido grande". O partido chegou a cogitar lançar uma candidatura própria ou mesmo apoiar a provável candidatura à reeleição do prefeito José Fogaça (PMDB).

APOSTA EM MANUELA

O PCdoB pretende convencer o eleitorado com propostas capazes de enfrentar os problemas na saúde e no transporte, setores que seriam os principais "gargalos" da cidade. Para isso, propõe modificar a gestão do atendimento médico e ressuscitar o projeto de uma linha de metrô na capital. As possíveis críticas sobre a falta de experiência administrativa da deputada Manuela D'Ávila não são vistas com preocupação. Manuela tem 26 anos e na sua trajetória política tem dois anos como vereadora na capital e o atual mandato na Câmara Federal.

"Será muito fácil enfrentar (a crítica). Quem tem experiência na primeira eleição? O (prefeito) Fogaça não teve, o (presidente) Lula não teve. O que garante é a linha política", disse Frasson.   Continuação...