July 20, 2008 / 2:07 PM / 9 years ago

Colômbia aceita entrar em Conselho Sul-Americano de Defesa

5 Min, DE LEITURA

Por Luis Jaime Acosta

BOGOTÁ (Reuters) - A Colômbia aceitou no sábado fazer parte do Conselho Sul-Americano de Defesa proposto pelo Brasil para articular políticas regionais nesse tema. A Colômbia, no entanto, condicionou sua entrada à rejeição de grupos violentos e que se reconheça somente as forças legais dos países.

No início do ano o Brasil propôs criar o Conselho de Defesa que servirá para a capacitação de militares, assim como para abordar temas nessa área e evitar conflitos na região.

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, fez o anúncio ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem recebeu em visita oficial.

Os dois presidentes conversaram por telefone com a presidente chilena, Michelle Bachelet, para tratar do tema do conselho.

Uribe disse que Lula e Bachelet, que preside a União de Nações Sul-Americanas, aceitaram as reivindicações colombianas para que as decisões do Conselho sejam adotadas por consenso, sejam reconhecidas somente as forças institucionais dos Estados membros e se rejeitem os grupos violentos.

"Dada esta compreensão que encontramos, então a decisão que a Colômbia comunica é entrar no Conselho de Segurança da América do Sul", disse Uribe em entrevista coletiva ao lado de Lula.

Uribe conseguiu impedir que, no futuro, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) possam ter um espaço de interlocução nesse conselho, razão pela qual o país inicialmente recusou-se a fazer parte do grupo.

Lula, por sua vez, obteve uma vitória diplomática, já que a posição colombiana era o principal obstáculo para a concretização do conselho.

Durante o encontro entre Lula e Uribe, Brasil e Colômbia assinaram um acordo de cooperação militar que busca desenvolver projetos conjuntos entre as indústrias militares dos dois países.

"O Brasil não deseja ser somente um vendedor de armas de defesa para a Colômbia, queremos produzir em conjunto. O Brasil deseja construir fábricas para produzir em conjunto com os países da América do Sul, e a Colômbia é um país que tem desejo e potencial", disse Lula.

"Queremos ser sócios para produzir e vender juntos", acrescentou.

A Colômbia fechou em dezembro de 2005 a negociação para compra de 25 aviões Super Tucano por 234,5 milhões de dólares, a maior aquisição militar na história recente do país.

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, revelou que a Colômbia aceitou o convite do Brasil para fazer parte de um projeto de construção de um avião de transporte pesado e que manterá a compra de equipamento bélico.

"Seguiremos explorando áreas comuns. Parte da nossa entrada no Conselho Sul-Americano de Segurança tem a ver também com essa busca de denominadores comuns em matéria de indústria militar", disse Santos.

O ministro colombiano disse ainda que Colômbia, Brasil e Peru buscarão assinar no domingo, durante encontro entre os presidentes dos três países, um acordo para exercer um maior controle militar dos rios da selva amazônica, para proteger as fronteiras de ameaças de grupos armados ilegais.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o acordo de cooperação assinado com a Colômbia busca também o intercâmbio de experiências e tecnologia militar.

Lula também se disse disposto a mediar um acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc, e a facilitar a aproximação da Colômbia com o Equador para que os dois países restabeleçam relações diplomáticas.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below