Brasil oferece ajuda energética à Argentina sem abrir mão do gás

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008 14:09 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 20 de fevereiro (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirá à colega argentina Cristina Kirchner, na visita que fará a Buenos Aires no fim de semana, que está disposto a ajudar o país vizinho quanto à escassez de energia, sobretudo no inverno, mas que não poderá abrir mão do gás que recebe da Bolívia.

Em encontro com jornalistas para falar sobre a viagem de Lula, nesta quarta-feira, o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, disse que Lula é sensível às necessidades energéticas da Argentina, e que oferecerá colaboração, como já fez no passado.

"A exemplo do que foi feito no ano passado, com a cessão de energia elétrica em momentos críticos de falta de energia na Argentina, o Brasil continuará se esforçando para ajudar, sempre que for viável", disse Baumbach na coletiva, divulgada pelo Planalto.

Em visita a Brasilia, em 13 de fevereiro, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro Garcia Linera, disse que seu país forneceria à Petrobras o volume histórico de gás, de 27 a 29 milhões de metros cúbicos, mas que poderia não cumprir o volume contratado de 30 milhões de metros cubicos. A Bolívia também fornece gás à Argentina e não teria condições de atender os dois mercados, principalmente no inverno, quando cresce a demanda.

Por conta desse problema, Lula, Cristina Kirchner e o presidente boliviano Evo Morales se reunirão no próximo sábado, em Buenos Aires, para tentar um acordo.

O porta-voz da Presidência deixou claro na entrevista que o Brasil não está disposto a abdicar do gás que tem direito por contrato com a Bolívia.

"O Brasil está convencido de que é necessário que seja cumprida a meta contratada em termos de fornecimento de gás (...) É uma necessidade brasileira, e nosso mercado interno, as nossas necessidades internas, vêm em primeiro lugar", afirmou.

Baumbach salientou que Lula não leva nenhuma proposta concreta, mas a disposição de dialogar e ajudar a Argentina.

(Texto de Mair Pena Neto; Edição de Marcelo Teixeira)