RPT-Água é commodity disputada na capital brasileira do petróleo

quinta-feira, 20 de março de 2008 07:12 BRT
 

(Repete matéria publicada na noite de quarta-feira)

Por Maurício Savarese

MACAÉ, Rio de Janeiro, 20 de março (Reuters) - Finas mangueiras negras se entrelaçam pelo chão de Nova Holanda, uma favela na periferia da cidade que gosta de ser chamada de a capital brasileira do petróleo.

Antiga vila de pescadores no norte fluminense, a cerca de 180 quilômetros do Rio de Janeiro, Macaé atraiu muita riqueza pelo petróleo e pelo gás da sua costa litorânea. Mas a água potável é um ativo quase tão precioso para grande parte dos mais de 200 mil habitantes da região.

Ao longo dos anos, milhares de desempregados migraram para lá, construindo moradias onde quer que haja espaço.

Assim surgiu Nova Holanda, que tem apenas uma tubulação que liga ao sistema principal da cidade -- forçando os seus habitantes a instalar um sistema precário com mangueiras para não sofrer com o desabastecimento.

As duras condições fazem de Nova Holanda um lugar hostil, sujo e violento para muitas pessoas. Mas é lucrativo para outras, como o taxista e empreendedor Edvar Santos, 58.

"Meu filho, em Nova Holanda você só tem duas opções. Ou você paga os outros para pegarem a água para você ou você mesmo usa uma bomba e faz sozinho", afirmou ele à Reuters.   Continuação...