20 de Fevereiro de 2008 / às 19:19 / 10 anos atrás

Mercado de alimentos sofrerá pouco impacto em caso de recessão

Por David Brough

LONDRES, 20 de fevereiro (Reuters) - A diminuição no ritmo da economia global deve ter um impacto limitado nos mercados de energia e de alimentos, mas no longo prazo as pressões inflacionárias agrícolas podem crescer, de acordo com delegados de uma conferência de investimentos na quarta-feira.

Os preços das commodities soft registram alta desde o final de 2007, impulsionados por compras de fundos e pelo interesse especulativo no setor, em meio à expectativas de elevação na demanda e de aperto na oferta.

As commodities soft, incluindo a cana-de-açúcar e os grãos, são utilizadas com frequência cada vez maior como matéria-prima para biocombustíveis, além do emprego na indústria alimentícia.

Lex Hoogduin, economista-chefe mundial da gerenciadora de ativos Robeco, disse que o crescimento demográfico, o aumento dos rendimentos, o envelhecimento da população e as mudanças climáticas fortaleceriam a demanda por commodities, num cenário de limitações da quantidade de terras destinadas à agricultura.

No entanto, caso a demanda mundial caia neste ano, frente à perspectiva de recessão econômica nos EUA, o impacto nos mercados agrícolas e de energia será modesto.

“(A diminuição no ritmo de crescimento) pressionará os preços dos alimentos e energia por um certo tempo”, avaliou Hoogduin. “Mas seria um impacto apenas temporário.”

Francisco Blanch, diretor mundial de pesquisas em commodities do Merrill Lynch, afirmou que experiências anteriores sugeriam que a demanda por petróleo deve ter boa sustentação em caso de um desaquecimento econômico.

“Minha opinião é de que, mesmo no caso de uma recessão nos EUA, haverá um impacto muito limitado na demanda por petróleo, em particular.”

O avanço na demanda por commodities soft para uso na indústria alimentícia e de biocombustíveis, particularmente nas economias emergentes de crescimento mais acelerado, serviria de incremento para as pressões inflacionárias no longo prazo, forçando os bancos centrais a perseguirem políticas monetárias restritivas, segundo os delegados.

Alguns países em desenvolvimento não agiram de modo suficientemente vigoroso para conter as pressões inflacionárias no passado, e isto precisará mudar, avaliou Blanch.

“Os mercados (de economias) emergentes precisam enrijecer as políticas monetárias”, segundo Blanch.

“O mais importante é que a demanda está crescendo rápido demais para a base de recursos atual.”

Hoogduin explicou que os bancos centrais refinaram as técnicas para controlar a inflação desde a década de 1970, quando foi necessário combater o acentuado aumento dos preços, e que um retorno a inflações de dois dígitos nos países desenvolvidos era pouco provável.

Os delegados, no entanto, questionavam se apenas a política monetária mais rígida era suficiente para controlar as pressões sobre os preços, particularmente nos países em desenvolvimento, onde a porção mais pobre da população sofre com o aumento nos preços dos alimentos.

Medidas inovadoras em políticas fiscais podem ser necessárias para complementar os aumentos nas taxas de juros, ajudando a reduzir os riscos de tensão política em decorrência de preços altos para a comida. O congelamento de preços e os subsídios, segundo os delegados, mostraram ineficácia no passado.

Por David Brough

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