Arrecadação cresce menos, mas ainda é recorde em fevereiro

quinta-feira, 20 de março de 2008 17:46 BRT
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - A arrecadação de tributos federais cresceu 10,2 por cento em fevereiro, em termos reais, em relação ao mesmo período do ano passado e somou 48,144 bilhões de reais, valor recorde para o mês.

Os números, divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira, mostram que houve crescimento a despeito do fim da CPMF --tributo que em fevereiro de 2007 havia respondido por uma arrecadação de 2,8 bilhões de reais.

Para o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, o desempenho das receitas reflete o crescimento da economia e reforça a avaliação do Fisco de que a arrecadação de janeiro, que cresceu 20 por cento frente ao mesmo mês de 2007, foi "um ponto fora da curva".

"A arrecadação é uma demonstração de que a economia brasileira está forte mesmo com todas as intempéries que estamos atravessando", disse Rachid a jornalistas.

"Esperamos que (o crescimento) continue", afirmou, acrescentando que as receitas maiores abrem espaço para o governo promover novas desonerações tributárias.

Ele argumentou que, apesar de a arrecadação seguir em alta mesmo sem a CPMF, a contribuição era importante por ter destinação específica para áreas sociais e por ficar com o governo federal. Ao contrários dos impostos, as receitas das contribuições não são divididas com Estados e municípios.

Em fevereiro, a arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre o lucro das empresas, cresceu 12,4 por cento frente a 2007. O recolhimento da Cofins teve alta de 19,1 por cento.

A arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cujas alíquotas foram elevadas em janeiro para compensar parte das perdas com o fim da CPMF, subiu 176,8 por cento, para 1,65 bilhão de reais.

No ano, a arrecadação federal soma 111,046 bilhões de reais, 15,6 por cento acima do recolhido no primeiro bimestre de 2007. Os dados são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).