20 de Agosto de 2008 / às 18:32 / em 9 anos

Na TV, Marta traz Lula; Kassab e Alckmin disputam Serra

SÃO PAULO (Reuters) - Na estréia da propaganda eleitoral gratuita na televisão, nesta terça-feira, os candidatos a prefeito de São Paulo aliaram promessas e trajetórias e tentaram colar suas imagens a padrinhos políticos.

O programa de Marta Suplicy (PT, PCdoB, PDT, PTN, PRB, PSB), líder nas pesquisas de intenção de votos, exibiu depoimento gravado especialmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Geraldo Alckmin (PSDB, PTB, PHS, PSL, PSDC) e Gilberto Kassab (DEM, PR, PMDB, PRP, PV, PSC) se contentaram com imagens de arquivo do governador José Serra (PSDB).

“Tenho certeza que a volta de Marta para a prefeitura é a melhor coisa que pode acontecer para São Paulo... Temos plena afinidade e juntos poderemos fazer muito para todos os paulistanos e em especial pelos mais pobres”, disse o presidente Lula no programa de 6 minutos e 40 segundos, o segundo maior entre os 11 candidatos.

Marta afirmou que está diferente em relação ao primeiro mandato à frente da prefeitura (2001-2004). “Sou uma pessoa mais madura e preparada. Tenho coragem e apoio político.”

Ao lado de propostas para os transportes (47 km metrô e 228 km de corredores de ônibus), para a educação (novos Centros Educacionais Unificados, Ceus), para a saúde (policlínicas e três novos hospitais), Marta afirmou que não terá um gabinete tradicional, mas uma sala com monitores ligados aos “centros vitais da cidade”, que lhe permitiria cobrar as soluções para os problemas da capital.

Não faltou um locutor para lembrar da classe média, apontada como responsável pela derrota na tentativa frustrada de reeleição em 2004. Segundo o apresentador, “vamos ampliar a inclusão dos mais pobres e apoiar a nova classe média”.

Alckmin, em segundo nas pesquisas, apresentou um programa mais modesto que seus principais concorrentes para ao final chamar o eleitor para a apresentação da noite, que tem início às 20h30. Em 4 minutos e 27 segundos, lembrou obras iniciadas em sua gestão, como o rodoanel e o Instituto do Câncer de São Paulo.

Sua trajetória política trouxe imagens de Serra e do ex-governador Mario Covas, morto em 2001.

O programa de Kassab, empatado com Paulo Maluf (PP) em terceiro lugar nas sondagens, buscou comparações com a gestão de Marta e utilizou slogan similar ao usado pela ex-prefeita: “Deixa o Kassab trabalhar”.

“Quando Serra assumiu e Kassab assumiu, a prefeitura estava falida, com obras paradas e caos na saúde”, disse o locutor. Ao fundo, imagens de recortes de jornais com notícias de jornais sobre a herança financeira da gestão Marta.

Com o maior tempo (8 minutos e 44 segundos), Kassab apresentou suas obras --217 novas escolas, dois hospitais, 110 AMAS (Assistência Médica Ambulatorial), o projeto Cidade Limpa-- e imagens suas ao lado do governador Serra.

Maluf, que responde a processo por desvio de recursos públicos, afirmou no programa que gastou menos que seus concorrentes e fez mais.

Segundo o programa, “está provado ninguém trabalhou tanto e aplicou tão bem o dinheiro de São Paulo”.

De camisa vermelha forte, Soninha Francine, que trocou o PT pelo PPS, não saiu do estúdio no programa de 1 minuto e 46 segundos. Ela criticou as acusações mútuas entre os candidatos e apresentou o mote: “Quem foi que disse que só tem um jeito de fazer política?”

Ivan Valente (PSOL, PSTU), Ciro Moura (PTC, PTdoB), Levy Fidelix (PRTB), Edmilson Costa (PCB), Anaí Caproni (PCO) e Renato Reichman (PMN) tiveram entre 1 minuto ou menos na TV para apresentar suas propostas. (Reportagem de Carmen Munari)

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