ANÁLISE-Cenário inflacionário maligno justifica meta de 4,5%

sexta-feira, 20 de junho de 2008 15:11 BRT
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 20 de junho (Reuters) - No cenário atual de recrudescimento da inflação no país e no mundo, o governo deve manter a meta de inflação do país em 2010 no nível atual de 4,5 por cento, ainda considerado elevado para padrões internacionais, afirmam economistas.

A avaliação predominante é que, dadas as incertezas que ainda cercam o comportamento dos preços das commodities nos próximos meses, o custo de se fixar um alvo mais ambicioso, ou pelo menos reduzir o intervalo de tolerância de 2 pontos percentuais, não se justifica.

"Nós estamos diante de um ciclo global de inflação, e também de um ciclo global de aperto monetário que deve estar se iniciando, e acho que é natural e compreensível que os governos, em qualquer país do mundo, não tenham interesse em mudar muito a meta de inflação para baixo", afirmou o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) se reunirá no final deste mês para confirmar a meta inflacionária de 2009, fixada em 4,5 por cento, e determinar o alvo a ser perseguido pelo Banco Central no ano seguinte.

A decisão será tomada em meio a um ciclo de aperto monetário iniciado pelo BC em abril para tentar conter a inflação. Expectativas do mercado já apontam para um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,8 por cento ao final deste ano, frente ao teto de 6,5 por cento da meta.

"Eu acho que o governo vai manter (a meta em 4,5 por cento)", afirma Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC. "Nas atuais circustâncias que nós estamos vivendo --este ano o IPCA pode chegar a 6,4 por cento, no topo da meta, e tendo em conta que não há perspectiva no curto prazo para uma desaceleração mais forte dos índices de inflação correntes-- qualquer mexida na meta agora para baixo poderia desencadear uma alta ainda maior das taxas de juros."

OPORTUNIDADE PERDIDA   Continuação...