20 de Outubro de 2008 / às 09:26 / em 9 anos

Gabeira critica "pegadinha juvenil" e cita Lula em debate no Rio

RIO DE JANEIRO, 20 de outubro (Reuters) - Com a intensificação dos ataques de Eduardo Paes (PMDB), com quem está tecnicamente empatado, Fernando Gabeira (PV) precisou evocar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para escapar de uma armadilha retórica.

Em debate promovido pela TV Record, neste domingo, Paes usou uma sigla administrativa para se referir à Zona Norte ao dirigir uma pergunta ao concorrente, que classificou a situação como "pegadinha juvenil".

"A campanha em que Lula foi candidato, o candidato do PMDB fez uma pegadinha. Perguntou sobre a Cide (imposto que incide sobre os combustíveis). O Lula não sabia. E o Lula venceu as eleições. Eu não tenho medo de não saber algumas coisas", afirmou Gabeira, citando seu ex-aliado político e atual cabo eleitoral de Paes na cidade.

Com freqüência, o peemedebista tem acusado Gabeira de fazer turismo eleitoral no Rio e de não conhecer o funcionamento dos órgãos da prefeitura. Em ato falho no sábado passado, Gabeira chegou a dizer que gostaria de instalar um gabinete da prefeitura na Zona Oeste para o prefeito não "morar apenas no Rio de Janeiro".

"Estava chovendo. Nós estávamos falando no meio da rua. Eu disse que a prefeitura não podia ficar apenas no Rio. Eu queria dizer no Centro do Rio de Janeiro. Essas tentativas são para me jogar contra a Zona Oeste", disse Gabeira.

"É uma tentativa incrível de dizer que eu sou o candidato dos ricos contra o candidato dos pobres", complementou ele, que lembrou sua infância pobre no interior mineiro.

Em seguida, Gabeira fez uma provocação ao peemedebista, dizendo que é "muito possível" que consiga o maior número de votos na Zona Oeste --região com 1 milhão de eleitores e dominada por Paes no primeiro turno.

Gabeira contou já ter percorrido 40 mil quilômetros nesta campanha, "quase a volta ao mundo". O candidato disse também ter sido professor voluntário na Zona Oeste antes do exílio e de ter chegado ao local da chacina de Vigário Geral "antes de as velas serem acendidas".

"Dizer que eu não conheço o Rio de Janeiro é um absurdo", concluiu Gabeira.

Em momento desconfortável, Paes tentou justificar suas várias mudanças de partido político. Em 15 anos de vida pública, o candidato passou por cinco legendas.

"A estrutura dos partidos no nosso país é muito arcaica. Na verdade, você tem donos dos partidos que impedem que as carreiras se desenvolvam e que as coisas caminhem. Sem dúvida alguma, foi um equívoco na minha trajetória política. Troquei de partido, mas jamais deixei de lado meus princípios", defendeu Paes.

Irônico, Gabeira lembrou que Paes já mudou até de time de futebol, do Fluminense para o Vasco da Gama. De acordo com Gabeira, nos momentos de mudança de posição política, os dois concorrentes se diferenciam também no estilo:

"Cada vez que eu mudo uma posição, eu escrevo um livro, como fiz no caso da luta armada, ou vou à tribuna do Congresso Nacional e faço um discurso explicando aos meus eleitores".

O peemedebista satirizou ainda três propostas apresentadas por Gabeira nesta campanha: afundar um navio perto das Ilhas Cagarras para promover o turismo; usar avião teleguiado para a prevenção de focos de dengue; e fornecer patinetes para a Guarda Municipal. Gabeira afirmou que suas idéias estão "no caminho do progresso".

Reportagem de Carla Marques; Edição de Renato Andrade

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