21 de Novembro de 2007 / às 15:51 / 10 anos atrás

Para CNI, 42% das indústrias querem elevar investimento

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - A proporção de empresas cuja capacidade produtiva está aquém da demanda prevista para o ano seguinte cresceu em 2007 e atingiu 20 por cento, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mas a maioria das empresas do setor espera elevar ou pelo menos manter o ritmo de investimentos no próximo ano.

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela entidade mostrou que 42 por cento das empresas esperam aumentar a compra de máquinas e equipamentos no próximo ano em relação a 2007 e 45 por cento planejam manter o mesmo ritmo. Os demais 13 por cento prevêem redução desses investimentos.

Para Flávio Castelo Branco, economista-chefe da CNI, os dados afastam preocupações de que uma elevada utilização da capacidade instalada na indústria possa gerar pressões inflacionárias.

“Precisamos desmistificar essa questão. A inadequação da capacidade produtiva é o que leva a empresa a investir. O que é ruim para o investimento é quando a capacidade está bem adequada”, afirmou Castelo Branco a jornalistas.

Ele também ponderou que o descasamento entre produção e demanda ocorre principalmente nas pequenas empresas, onde 22 por cento relataram a questão. Entre as grandes empresas, esse percentual cai para 14 por cento.

“O fato de as pequenas empresas apresentarem maior necessidade de ampliar a capacidade instalada em 2008 está associado, em boa medida, ao fato dessas pequenas empresas terem investido relativamente menos do que as grandes empresas em 2007”, acrescentou a CNI em nota.

Os setores com maiores registros de inadequação do parque fabril foram álcool, máquinas e equipamentos, outros equipamentos de transporte (exclui veículos) e minerais não-metálicos.

Em todos esses setores, com exceção do álcool, a proporção de empresas que pretende elevar seus investimentos no próximo ano é maior do que a que pretende reduzi-la.

Em 2006, o percentual de industriais que consideravam a capacidade de produção inferior à demanda era de 16 por cento e, em 2005, de 17 por cento.

INVESTIMENTO É COM RECURSO PRÓPRIO

Neste ano, 86 por cento das empresas ouvidas pela CNI planejavam investir e, do total dos projetos previstos, 85 por cento foram realizados total ou parcialmente.

Das empresas que investiram em 2007, 71 por cento responderam que o fizeram utilizando recursos próprios e apenas 25 por cento disseram ter recorrido a empréstimos bancários.

Para Castelo Branco, o que surpreende é que esse dado sofreu pouca alteração em relação a 2001, apesar da queda dos juros. Na ocasião, 70 por cento das empresas afirmaram que fariam investimentos com recursos próprios.

“Isso é uma disfunção da economia brasileira”, afirmou o economista. Ele afirmou que, além do custo financeiro elevado, as empresas também reclamam de entraves burocráticos para ter acesso a crédito.

A CNI ouviu 1.655 empresas entre 27 de setembro e 8 de novembro.

Edição de Alexandre Caverni

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