21 de Janeiro de 2008 / às 20:49 / 10 anos atrás

Medo de recessão nos EUA ganha força e Bovespa cai 6,6%

SÃO PAULO (Reuters) - O aumento dos temores de recessão nos Estados Unidos derrubou os mercados acionários globais nesta segunda-feira e a Bolsa de Valores de São Paulo amargou a maior queda diária desde fevereiro do ano passado. Agora, o principal índice da bolsa paulista acumula desvalorização de quase 16 por cento em 2008.

O Ibovespa despencou 6,6 por cento neste pregão, para 53.709 pontos, menor nível em quatro meses. No pior momento do dia, o índice recuou 6,99 por cento.

Em 27 de fevereiro do ano passado, o indicador havia recuado 6,63 por cento, em meio a preocupações com as economias dos EUA e da China.

O volume financeiro desta sessão foi de 6,1 bilhões de reais, inflado em 523 milhões de reais pelo exercício de opções.

Apesar do feriado nos EUA em homenagem a Martin Luther King, os mercados acionários no resto do mundo registraram fortes perdas em meio ao pessimismo com a economia norte-americana e à crença de que os bancos podem enfrentar mais perdas relacionadas à crise de hipotecas de alto risco.

"É muito difícil saber (se o ajuste nas bolsas já foi suficiente). E justamente essa incerteza é que faz investidores tomarem posição mais cautelosa. Mas certamente nos balanços de bancos e companhias seguradoras lá fora muita coisa (do impacto da crise) já está sendo reconhecido", afirmou o economista-chefe do Banco Itaú, Tomás Málaga.

Na Europa, o principal índice de ações do continente FTSEurofirst cedeu 5,79 por cento, aos 1.279 pontos. Foi a maior queda do índice desde 11 de setembro de 2001, dia dos ataques aéreos contra os EUA.

Na sexta-feira, o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou um pacote de estímulo econômico. Não foram dados muitos detalhes e o mercado não ficou animado com o plano da Casa Branca.

SAÍDA DE ESTRANGEIROS

O receio de uma recessão na maior economia do mundo têm aumentado a aversão ao risco. Diante desse cenário, o saldo de estrangeiros na Bovespa está negativo em 3,4 bilhões de reais de 2 a 16 de janeiro, segundo as últimas informações disponíveis.

A cifra já está perto da acumulada em todo o ano passado, quando o saldo de estrangeiros na negociação direta no mercado acionário brasileiro foi negativo em cerca de 4,2 bilhões de reais.

No Ibovespa, as blue chips Petrobras e Vale despencaram 7,42 por cento e 11,3 por cento, respectivamente.

Nesta manhã, a Vale anunciou que tem mantido negociações para uma eventual aquisição da mineradora anglo-suíça Xstrata, num acordo que, se confirmado, poderia atingir mais de 100 bilhões de dólares, segundo analistas.

"Tudo indica que uma proposta realmente pode acontecer, mas não é uma tarefa trivial para a Vale. É quase todo o valor da companhia que estaria sendo colocado no negócio", afirmou Rodrigo Ferraz, analista de mineração do Banco Brascan, no Rio de Janeiro.

Com a Xstrata, a Vale poderia adquirir grande diversificação em metais como cobre e níquel. Mas também poderia estar mais exposta à volatilidade, o que poderia minar seu fluxo de caixa quando tiver de pagar os empréstimos para a eventual aquisição, segundo analistas.

Texto de Cesar Bianconi, Reportagem adicional de Daniela Machado

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