PT homologa chapa com PSB em Belo Horizonte

sábado, 21 de junho de 2008 17:18 BRT
 

Por Marcelo Portela

BELO HORIZONTE (Reuters) - O diretório municipal do PT em Belo Horizonte homologou, em convenção realizada neste sábado, a chapa para concorrer à prefeitura da capital mineira, encabeçada pelo empresário Márcio Lacerda (PSB) e com o deputado estadual Roberto Carvalho (PT) como vice. A aprovação da chapa teve 32 votos favoráveis, contra nove que se opuseram às candidaturas.

Na mesma reunião, o diretório também aprovou moção a ser encaminhada ao diretório nacional da legenda, informando que os petistas mineiros acatam a decisão do partido de não permitir aliança com o PSDB e o PPS na cidade, mas também fazendo um apelo para que tal decisão seja revista.

O ex-deputado estadual petista Rogério Correia, que defende candidatura própria do PT na capital, ainda pediu para que fosse acrescentada no texto final uma frase citando especificamente que não seria aceita aliança com o PSDB e o PPS, mas a proposta foi rejeitada por 30 votos a dez.

"A direção preferiu deixar o termo obscuro", afirmou Correia, que não descarta a possibilidade de pedir intervenção da direção nacional no diretório de Belo Horizonte. A chapa homologada na convenção foi articulada principalmente pelo prefeito Fernando Pimentel (PT) e pelo governador Aécio Neves (PSDB), para quem Lacerda trabalhava como secretário de Desenvolvimento Social até cerca de um mês atrás.

A decisão final sobre a composição da coligação ficará para o dia 29, quando será realizada a convenção do PSB, mas o grupo que apóia a aliança com os tucanos tem esperança de que o acordo será mantido. "Política não é feita de hipóteses. É feita de fatos", afirmou Pimentel, em entrevista antes da convenção.

O prefeito se referia à possibilidade do PSB fazer uma aliança formal com o PSDB, o que, mantida a posição da direção nacional do PT, inviabilizaria a participação do PT na coligação.

"Não trabalhamos com hipóteses. A chapa existe e foi formalizada", disse Pimentel. "Não há ninguém mais petista que o outro. Podemos divergir, mas caminhamos juntos. Temos esperança de que o que estamos fazendo em Belo Horizonte vai prosseguir. A dobradinha vem de longe e é vitoriosa", afirmou, durante discurso na convenção, no qual lembrou que foi vizinho de cela de Márcio Lacerda durante a ditadura militar.

Ainda no discurso, Pimentel afirmou que "o governador está ansioso para entrar na campanha" e que a chapa uniria a prefeitura, o governo do estado e a presidência, já que Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à coligação. "É uma ousadia o que estamos fazendo na cidade, e vai dar certo. São companheiros que vão estar conosco em 2008 e em 2010 também", disse, referindo-se à possibilidade de se candidatar para governador de Minas.

É justamente a eleição de 2010, entretanto, que levou a direção petista a vetar a coligação como o PSDB, já que Aécio Neves é, ao lado do governador paulista José Serra, o tucano mais cotado para concorrer à sucessão de Lula. "Aécio e Pimentel são políticos experientes e vão encontrar o melhor caminho. A proibição (da aliança com PSDB) tem limite, que é o desejo do povo. Essa decisão não é razoável", avaliou Márcio Lacerda, que também participou da convenção deste sábado.

Apesar da confiança do grupo que articulou a coligação de que o PT mudará sua posição, lideranças do partido em Minas trabalham com a hipótese de que o veto seja mantido. Neste caso, outra convenção, marcada para o dia 30, que deveria escolher os candidatos a vereadores, também poderá definir nomes para uma candidatura própria. "O PSB que vai decidir. Se fechar com o PSDB, não podemos desrespeitar a decisão nacional e saímos da aliança. Temos quatro possíveis candidatos próprios", afirmou o presidente do PT em Minas, deputado federal Reginaldo Lopes. Entre as possibilidade, ele citou o próprio Roberto Carvalho, o deputado federal Miguel Correia Júnior, Rogério Correia e o ex-secretário municipal Murilo Valadares, que se desincompatibilizou da Prefeitura de Belo Horizonte a tempo de poder concorrer nas eleições de outubro.