August 21, 2008 / 12:12 PM / 9 years ago

Tropas chinesas abriram fogo contra tibetanos, diz Dalai Lama

4 Min, DE LEITURA

<p>O Dalai Lama durante sua visita &agrave; Fran&ccedil;a, onde acusou a China de abrir fogo contra tibetanos no leste do Tibete. Photo by Stephane Mahe</p>

PARIS (Reuters) - O Dalai Lama acusou as tropas chinesas de abrir fogo contra manifestantes no leste do Tibete no dia 18 de agosto e afirmou, em uma entrevista publicada na quinta-feira, que tinha informações não confirmadas de que 140 pessoas foram mortas na ocasião.

O líder espiritual exilado do Tibete disse ao jornal francês Le Monde que o Exército abriu fogo durante um protesto na região de Kham, no leste do Tibete, na segunda-feira.

"Pelas minhas contas, 140 tibetanos foram mortos, apesar deste número ainda ter de ser confirmado", disse o Dalai Lama, segundo o jornal.

"Desde os combates em março, testemunhas confiáveis disseram que 400 pessoas foram mortas somente na área de Lhasa... Se você considerar a totalidade do Tibete, o número de vítimas é obviamente maior", disse.

Um representante do Dalai Lama na Índia, onde está exilado o líder tibetano, minimizou os comentários.

"Sabemos de distúrbios na região de Kham. Mas não temos nenhum detalhe ou número sobre feridos ou mortos", disse Chhime Chhoekyapa, na região de Dharamsala.

"Também não temos nenhuma data exata de confusões".

O Dalai Lama está quase terminando sua viagem à França, durante a qual jà acusou a China de aumentar a repressão no Tibete.

Na segunda-feira, a Campanha Tibete Livre, um grupo ativista, disse que a China aumentou a repressão às regiões de etnia tibetana para prevenir protestos durante a Olimpíada.

A repressão aos protestos no Tibete, em março, gerou críticas generalizadas na comunidade internacional e Pequim acusou o Dalai Lama e seus aliados de orquestrarem a confusão. O líder espiritual nega a acusação.

"Dez mil pessoas foram presas (desde março). Nós não sabemos onde elas estão sendo mantidas", disse o Dalai Lama na entrevista.

Ele afirmou ainda que as autoridades chinesas estão acelerando a construção de campos militares no Tibete, o que o faz temer que a China tenha planos de manter o Tibete sob uma longa repressão.

Na semana passada, o Dalai Lama disse, em uma reunião com parlamentares franceses, que teme que a China acelere a mudança de um milhão de chineses da etnia Han no Tibete, imediatamente depois dos Jogos, para diminuir ainda mais a proporção da população tibetana.

Sua visita à França é basicamente religiosa, mas na sexta-feira, ele se encontrará com a mulher do presidente Nicolas Sarkozy, Carla Bruni-Sarkozy, e com o ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner.

Sarkozy se recusou a encontrar-se com o Dalai Lama, o que gerou críticas de que ele esteja cedendo à pressão de Pequim, que avisou a ele por meio do embaixador que haveria "consequências sérias" caso tal encontro ocorresse.

Por Estelle Shirbon

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