21 de Outubro de 2008 / às 15:48 / em 9 anos

ATUALIZA2-Lula fala em cortes de recursos se crise aumentar

(Atualizado com declarações e contexto)

SÃO PAULO, 21 de outubro (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva previu nesta terça-feira, pela primeira vez, que se a crise financeira global atingir o Brasil haverá redução de recursos em todos os ministérios.

“Eu não posso assumir o compromisso com vocês de que, se houver uma crise econômica que abale o Brasil, a gente vai manter todo o dinheiro de todos os ministérios”, disse Lula em discurso na cerimônia de 60 anos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

O presidente mudou um pouco o tom dos possíveis impactos da crise no Brasil e afirmou que a redução de verbas nos ministérios virá se a arrecadação de impostos for afetada.

“Até porque se um milhão for arrecadado a menos, vai ter menos dinheiro para todo mundo. Não vai ter ilusão”, declarou no evento realizado em São Paulo.

A arrecadação de tributos, no entanto, ainda não está sendo afetada. Dados divulgados nesta terça-feira indicam crescimento da arrecadação de 8 por cento em setembro sobre o mesmo mês do ano passado, somando 56 bilhões de reais, valor recorde para o mês.

O presidente reconheceu ainda que as exportações podem sofrer com a crise, mas disse que o Brasil ampliou o leque de países com quem comercializa, o que reduz o impacto da turbulência. “Isso nos dá certa garantia de que iremos sofrer menos do que outros países caso haja uma recessão.”

Lula, no entanto, procurou manter o otimismo e disse que a crise “vai chegar leve aqui”, mas admitiu que o fluxo de crédito já está sendo atingido.

“Nós temos um problema de crédito. Eu não sei onde estão tantos trilhões de dólares que estavam voando de banco para banco, de papel para papel. De repente o dinheiro desapareceu”, criticou.

NOVA POSTURA

Na segunda-feira, o governo anunciou novas medidas de crédito para aliviar os efeitos da crise. A agricultura ganhará mais 2,5 bilhões de reais e a construção civil terá 4 bilhões adicionais. Antes, a equipe econômica reduziu os níveis dos recursos que os bancos têm que recolher ao Banco Central (compulsório) para que a economia real receba mais dinheiro.

“Não vamos lançar nenhum pacote econômico, vamos trabalhar pontualmente na expectativa de que as medidas anunciadas pelo (presidente dos EUA George W.) Bush e pelo (primeiro-ministro britânico) Gordon Brown funcionem”, disse Lula.

Para o presidente, as medidas anunciadas pelo governo norte-americano, que se decidiu pela compra de ações de bancos privados em vez fornecer dinheiro a eles, representam uma mudança de postura.

“O coração do regime capitalista começa a ter um gostinho pelo papel do Estado, que volta a ser importante depois de ter sido desmoralizado nos últimos 30 anos”, declarou.

Lula ainda reforçou o papel do Estado como regulador da economia. “O mercado, que poderia resolver tudo, no primeiro fracasso recorre ao paizão que é o Estado”.

Arrancando risos da seleta platéia de cientistas, pesquisadores e professores universitários, Lula disse que precisa manter o otimismo, enquanto outros torcem pelo pior.

“Tem gente que acha que eu sou muito otimista. Imagina você no hospital visitando um companheiro que está em fase terminal e você diz: ‘Ontem morreu um cara igual a você'. Não dá. Temos que trabalhar com a hipótese de que as coisas ruins não vão acontecer conosco e trabalhar para evitar que aconteçam.”

Reportagem de Carmen Munari, Edição de Mair Pena Neto

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