ANÁLISE-Setor automotivo avança no país, mas com crise a reboque

quarta-feira, 22 de outubro de 2008 15:45 BRST
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 22 de outubro (Reuters) - Com investimentos de 23 bilhões de dólares previstos para os próximos três anos e um cenário de crise financeira internacional crescendo no retrovisor, montadoras de veículos do país mostram-se reticentes em fazer previsões para 2009, enquanto analistas e especialistas do setor apostam em uma expansão das vendas a um ritmo menor do que o previsto para este ano.

Vivendo recorde de produção e vendas, a indústria automotiva brasileira enfrenta um cenário diferente das crises que impactaram o país entre o final da década de 1990 e 2000 ao conviver com aumento da renda dos consumidores e com um sistema bancário mais estruturado e que atualmente concede crédito para mais 60 por cento das vendas do setor.

Mas após anúncios de férias coletivas em algumas montadoras --como o feito pela General Motors (GM.N: Cotações) no início deste mês-- cortes de prazos e aumentos de juros de financiamentos, além da queda de 10 por cento nas vendas das duas primeiras semanas de outubro frente ao mesmo período de setembro, não se pode dizer que o clima na indústria, responsável por 5 por cento do Produto Interno Bruto do país, esteja totalmente tranquilo.

"Em 2008, não vemos nada mudando em termos de pedidos. Mas para 2009, segundo conversas informais que tivemos com montadoras, já existem algumas delas revisando planos para baixo", disse o diretor-superintendente para América Latina da fabricante alemã de pneus Continental (CONG.DE: Cotações), Renato Sarzano, referindo-se às mais de 10 fabricantes de veículos instaladas no Brasil.

A companhia recentemente ampliou sua única fábrica de pneus na América Latina, instalada há cerca de dois anos na Bahia, e tem previsão de aumento de 20 por cento da produção em 2009, para cerca de 5 milhões de pneus.

"Se houver cortes de planos para o ano que vem será muito mais porque todo mundo (montadoras) estava planejando crescimento e o pessoal caiu um pouco na realidade agora", disse Sarzano. "Ninguém está apostando que 2009 será menor que 2008 em termos de vendas."

Nenhuma montadora procurada pela Reuters desde a semana passada quis se manifestar sobre o impacto da crise internacional no país, mas entre analistas as expectativas são de expansão das vendas da ordem de 10 a 15 por cento em 2009 depois de um salto previsto para 2008 da ordem de 24 por cento.

  Continuação...