CA diz ter vencido 'fantasma' da antiga Computer Associates

quarta-feira, 21 de maio de 2008 14:55 BRT
 

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO (Reuters) - Um ano depois de uma reestruturação, que resultou, inclusive, na saída de alguns executivos na subsidiária brasileira, a produtora norte-americana de software CA acredita já ter deixado para trás o fantasma da antiga Computer Associates, nome que ela adotava antes de escândalos contábeis que levaram seu ex-presidente a ser condenado à prisão.

"Foi uma mudança de cultura e, como era de se esperar, algumas pessoas abraçaram as alterações e outras não e, por isso, deixaram a empresa", afirmou John Swainson, que preside a CA desde 2005.

O executivo implantou uma "dramática reestruturação" que envolveu novos processos internos, remodelagem de canais de venda e troca de todos os sistemas usados pela administração da companhia e agora avalia que o processo de desvincular a atual CA da antiga Computer Associates "está finalizado".

A CA, que vende softwares que gerenciam a área de tecnologia das empresas, teve que rever balanços três vezes desde a chegada de Swainson por conta de irregularidades passadas. O predecessor do executivo, Sanjay Kumar, foi condenado a 12 anos de prisão e a multa de 8 milhões de dólares por causa de um escândalo de fraude contábil.

No Brasil, onde a companhia tem filial há 26 anos, o processo de reestruturação foi citado como um dos responsáveis pelas constantes trocas de executivos que a CA viu nos últimos meses. Laércio Albuquerque, que está há 13 anos na subsidiária, assumiu o cargo de diretor-geral em 1 de abril deste ano. Antes dele, Ricardo Fernandes ocupava interinamente o cargo, mas só ficou dois meses no posto, deixando-o rumo à SAP.

"A troca de executivos faz parte de um movimento normal nesse mercado", disse Albuquerque, em encontro com a imprensa nesta quarta-feira. "Estamos (a CA) em um momento de redirecionamento", afirmou.

Apesar do Brasil responder por cerca de "um dígito" da receita total da CA, Swainson afirmou que o Brasil "é um mercado muito importante" e que o faturamento "está crescendo", o que o motivou a fazer nesta semana a segunda visita ao país em um ano. A empresa teve receita líquida de 3,94 bilhões de dólares no ano fiscal 2007.

Albuquerque afirmou que "o mercado (de software para empresas) está bastante aquecido", movido, principalmente, pelas áreas de segurança e processos de governança. A companhia não divulga resultados locais, mas diz que a receita brasileira "cresce dois dígitos ao ano", movimento que deve se repetir em 2008.

(Reportagem de Taís Fuoco, Edição de Alberto Alerigi Jr.)